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Ativista transgênera italiana é a primeira vítima da lei antigay em Sochi

Demétrio Vecchioli

17 de fevereiro de 2014 | 20h11

Doze dias. Foi esse o tempo que demorou até que a polêmica lei antigay russa fosse colocada em prática em Sochi, durante os Jogos Olímpicos de Inverno. Nesta segunda-feira, de acordo com as agências internacionais, foi detida a primeira pessoa por suposta apologia gay.

Trata-se da ativista transgênera italiana Vladimir Luxuria, uma ex-deputada comunista que se tornou defensora dos direitos dos dos transgêneros e personalidade da televisão italiana. Ela foi parada por quatro homens não identificados quando se dirigia a um jogo de hóquei sobre o gelo, dentro do Parque Olímpico, na costa de Sochi. (Nota do blogueiro: Luxuria prefere ser tratada por pronomes femininos, o que é respeitado aqui)

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Nascido Wladimiro Guadagno, Luxuria é uma figura conhecida na Itália. Organizou a primeira “Parada Gay” da Itália, em 1994, comandou a noite gay de Roma por muito tempo e foi dançarina de cabaret. Protagonizou musicais de sucesso e elegeu-se deputada em 2006, pelo Partido da Refundação Comunista. Foi a primeira parlamentar transgênera da Europa, a segunda do mundo.

Deixou o parlamento italiano em 2008, porque seu partido não atingiu o mínimo de votos necessários para manter as cadeiras que tinha. Luxuria, depois, participou e venceu o “Survivor” italiano. Ganhou 200 mil euros e doou para o Unicef. Em 2012, foi a apresentadora do programa, chamado na Itália de “Ilha dos Famosos”.

Quando chegou a Sochi, postou no Twitter. “Estou em Sochi, com as cores do arco-íris, na cara do Putin”, em referência ao presidente russo, Vladimir como ela. A detenção veio enquanto ela caminhava pelo Parque Olímpico com uma bandeira com as cores do arco-íris e os dizeres: “Gay is OK” e “It’s OK to be gay”, em inglês e russo. Logicamente, provocava a lei que veta pune quem faça propaganda homossexual.

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Quando foi levada para fora da área da Shayba Arena, avisava que “eu tenho ingressos”. Por conta da fama, ela era acompanhada por diversos repórteres. O jornal italiano Gazzetta Dello Sport inclusive filmou a ativista sendo acompanhada até uma área restrita e colocada dentro de um carro aparentemente adesivado pela organização. A mesma, por meio de porta-voz, garantiu que ninguém foi preso ou detido pela polícia.

Pelo Twitter, amigos de Luxuria afirmaram, durante a noite de Sochi, que já falaram com ela e que a ativista foi liberada pela polícia. Um líder da comunidade gay italiana escreveu que recebeu um SMS do ativista: “Fui liberada e amanhã estarei de novo em Sochi”. Presidente do “Gay Project” italiano, Imma Battaglia disse que recebeu a notícia da liberação de Luxuria pelo ministro do Exterior da Itália, Emma Bonino.

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