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Atletismo muda programa de provas no Rio para ajudar os EUA

Demétrio Vecchioli

16 de janeiro de 2016 | 21h59

No atletismo, as provas de 200m e 400m rasos pertencem a dois grupos diferentes. A mais curta é considerada de velocidade, a mais longa de “meio-fundo”. Por isso, são disputadas por atletas com características. Mas essa máxima não é verdadeira quando falamos de Allyson Felix, a maior de todos os tempos no atletismo. E, por causa dela, o programa olímpico foi alterado neste sábado.

À pedido da US Track and Field, a federação norte-americana de atletismo, a IAAF (associação internacional) decidiu inverter os horários de duas provas no dia 15 de agosto, uma segunda-feira. As primeiras baterias dos 200m serão pela manhã, com os 400m com barreiras indo para a sessão noturna.

Não é segredo – pelo contrário – que a decisão é para beneficiar Allyson Felix e, consequentemente, os Estados Unidos no quadro de medalhas. Também para o dia 15 de agosto, às 22h45, está marcada a final dos 400m rasos, em que Allyson é favorita. No Mundial do ano passado, ela levou o ouro.

Com os 200m programados inicialmente para as 21h30, ela chegaria cansada à final dos 400m. Agora, terá mais de 12 horas de descanso entre uma prova e outra. Nos 200m, vale lembrar, ela é a atual campeã olímpica. Em Londres, também ganhou o 4x100m e o 4x400m, feito que se ela repetir no Rio fará dela a primeira mulher a ganhar 4 medalhas de ouro no atletismo numa só edição dos Jogos.

O argumento dos americanos, que convenceu a IAAF, é que os atletas de 200m e 400m (no caso, só Allyson entre as atletas que brigam para fazer final) devem ter o mesmo direito dos corredores de 100m e 200m, que têm bom tempo de descanso entre uma prova e outra.

Allyson só correu uma vez os 200m e os 400m numa grande competição, ganhando bronze e prata, respectivamente, no Mundial de 2011, em Daegu (Coreia do Sul). No total, ela tem 13 medalhas em Mundiais. E seis em Olimpíadas, sendo quatro de ouro. No Rio, ela deve se despedir dos Jogos.

Em teoria, a decisão prejudica a brasileira Jailma de Lima, líder do ranking brasileiro dos 400m com barreiras e terceira do País nos 400m rasos. Em teoria, porque é utópico pensar que ela vai chegar final dos 400m.