Atletismo manda velocistas para os EUA para repetir sucesso da natação
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Atletismo manda velocistas para os EUA para repetir sucesso da natação

Demétrio Vecchioli

08 de janeiro de 2014 | 19h03

O Brasil ganhou cinco medalhas no Mundial de Natação. Nenhuma no de atletismo. Em Barcelona, foram ao pódio Cesar Cielo, Thiago Pereira e Felipe Lima. Todos treinam nos Estados Unidos. E o exemplo deles que o atletismo quer repetir para não fazer feio nos Jogos de 2016.

Hoje a chance mais real de medalha para o atletismo é o revezamento 4×100 metros no feminino. Jamaica e Estados Unidos estão à frente, mas não há mais ninguém com melhores nomes do que o Brasil. O pódio só não veio em Moscou por conta da queda do bastão, na penúltima passagem.

Para diminuir a margem de erro, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) mandou três atletas para a Universidade de Miami, como já havia antecipado que aconteceria a colega Amanda Romanelli, também blogueira do Estadão. Evelyn dos Santos, Rosângela Santos e Tamiris de Liz já viajaram para os Estados Unidos, onde treinarão na Universidade de Miami.

As três formam, como Franciela Krasucki e Ana Cláudia Silva o pilar do revezamento brasileiro. Estas duas, porém, já têm boa estrutura no Brasil, uma no Pinheiros e outra no BM&F Bovespa. Evelyn e Rosângela treinavam no Rio – apesar de Evelyn competir pelo Pinheiros -, enquanto Tamiris, medalhista de bronze no Mundial Juvenil de Barcelona, em 2012,  continuava em Santa Catarina, no Corville.

Mais ainda do que estrutura (a Amanda me contou que a Franciela treina em Valinhos, em pista de terra), pesa o apoio que ela e Ana Cláudia têm dos clubes e que as demais, infelizmente, não têm. Competem fora um bom número de vezes por ano, algo que as Evelyn, Rosângela e Tamiris só fariam em véspera de competições, quando enviadas pela CBAt. Em Miami, poderão participar do grande hall de eventos nos EUA.

Em Moscou, Vanda Gomes competiu (e foi na passagem dela que o bastão caiu). Mas a atleta está suspensa pela CBAt, que não gostou nada das críticas que ouviu dela depois do Mundial. Pelo menos nesse primeiro momento, está fora dos planos (nem Bolsa Pódio vai ganhar). De qualquer forma, só competiu na Rússia porque Rosângela estava com uma lesão no pé e Tamiris não teve um bom ano na primeira temporada como adulta – a esperança é que evolua em 2014.

A Amanda destaca no blog dela que as três brasileiras serão treinadas pela técnica Amy Deem, que foi responsável pelos revezamentos femininos dos EUA em Moscou e que lapida a  marfinense Murielle Ahouré, que conquistou prata nos 100m e nos 200m no Mundial.

Segundo o COB, os treinadores pessoais das atletas, assim como outros treinadores convidados, participação de campings nos EUA. É uma forma de garantir transferência de conhecimento, para que num futuro esse tipo de intercâmbio não precise ser mais realizado.

Na natação, a ida dos atletas para os EUA deu certo. Cesar Cielo fez faculdade lá, Thiago Pereira mudou de local de treinos antes de Olimpíada e voltou com medalha e Felipe Lima segue crescendo assustadoramente. Além deles, Marcelo Chierighini e João de Lucca estão entre os que se desenvolvem em piscinas norte-americanas.

Tomara que a estratégia dê certo também para o atletismo. Mas, principalmente, que esses campings sejam bem aproveitados, o conhecimento adquirido, e que depois de 2016 os clubes brasileiros possam caminhar com as próprias pernas.

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