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Brasil deve superar meta do COB e levar até 420 atletas ao Rio/2016

Demétrio Vecchioli

24 de julho de 2014 | 04h22

Na quarta, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) anunciou, como se fosse novidade, que pretende que o Brasil fique no top10 no quadro de medalhas dos Jogos do Rio pelo número total de medalhas. E que, para tanto, calcula que precise ir ao pódio 27 vezes pelo menos, em “pelo menos” 10 modalidades. Postei aqui (leia!) que a meta é muito tímida, porque hoje o Brasil já tem condições de faturar 27 medalhas, em 13 ou 14 modalidades. O COB fica na zona do conforto.

Pois bem, o COB também falou que o Brasil tem 300 vagas asseguradas em 2016 e que pretende classificar 400 atletas. Perdi algumas horas, mas esmiucei os critérios de classificação para os Jogos do Rio. Mais uma vez, o COB aposta muito baixo. São, na verdade, 311 vagas garantidas ao país-sede, número que chega a 328 se o time masculino de hóquei sobre a grama do País fechar o ano entre os 30 melhores do ranking mundial (hoje é 34.º).

Se mantiver a média de levar 60 atletas entre natação e atletismo, vai chegar a 388 classificados. Coloque na conta mais duas duplas de vôlei de praia (obrigação) e equipes na ginástica artística masculina e feminina e o Brasil já terá atingido a meta de 400 atletas nos Jogos de 2016, sem precisar que qualquer atleta de qualquer outra modalidade se esforce pelo objetivo coletivo.

Mais uma vez, o COB peca por pensar pequeno. Nas minhas contas, a partir de critérios técnicos, sem contar natação e atletismo, é possível conseguir 54 vagas além das garantidas e do hóquei. Assim, a meta deveria ser classificar por volta de 420 atletas. O mais provável, porém, é que o número total de brasileiros competindo na próxima Olimpíada varie entre 405 e 425, acima do que o COB divulgou.

A impressão que o Comitê Olímpico Brasileiro passa é de não querer ser cobrado por eventuais resultados que não atinjam uma meta mais ousada. O COB sabe melhor do que eu que vai levar até com certa tranquilidade 400 atletas para os Jogos do Rio. Sabe que deverá ganhar 27 medalhas e ficar no top10. O esporte olímpico brasileiro cresceu muito nos últimos quatro anos e o COB tem grandes méritos. Mas precisa continuar sendo arrojado, mesmo que depois receba críticas injustas.

ENTENDA OS CRITÉRIOS – Em algumas modalidades o Brasil já tem garantido o máximo de atletas possível: tiro com arco (seis), canoagem slalom (cinco), hipismo (12), judô (14), vela (15), nado sincronizado (nove), tênis de mesa (seis). Juntas, essas modalidades somam 67 credenciais. Nos esportes coletivos, são 156 vagas confirmadas no basquete (24),  handebol (22), rúgbi sevens (24), vôlei (24), polo aquático (26) e futebol (36).

Nas demais modalidades/disciplinas, o Brasil tem asseguradas 88 vagas. Nas contas do blogueiro, dentro da limitação/capacidade técnica das respetivas modalidades, o limite é conseguir mais 54 vagas. Dessas, cerca de 20 são favas contadas (vôlei de praia, boxe, canoagem, saltos ornamentais). As demais são possíveis, mas não certas. Na média, o chute do blogueiro é que o Brasil consiga 37 vagas extras.

Na natação e no atletismo a classificação depende exclusivamente de índices. Em 2012, foram 36 brasileiros no atletismo e 19 na natação, contra respectivamente 42 e 23 em 2008.  Na média, dá para pensar em 39 do atletismo e 21 da natação em 2016, num total de mais 60 atletas.

BADMINTON – Duas vagas garantidas (um homem e uma mulher). Conseguir mais vagas no individual pelo ranking mundial é quase impossível. Obter duas vagas em duplas, como melhor do continente, é plausível, mas difícil, nas duplas mistas.  (2 a 4)

VÔLEI DE PRAIA – Tem direito a duas duplas (uma em cada naipe), mas levará quatro como sempre fez (4 a 8).

BOXE – O sistema do boxe é bastante complexo e envolve muitas variáveis. O Brasil tem cinco vagas certas no masculino e uma no feminino e pode usá-las em categorias que não conseguir se classificar (exceto duas do masculino, em que vai pior). É possível que sejam dez vagas entre os homens e três no feminino. (6 a 13).

CANOAGEM VELOCIDADE – São três vagas garantidas, em provas específicas. O nível técnico da seleção permite crer, porém, em outras duas vagas por critérios técnicos (3 a 6).

CICLISMO PISTA – Nenhuma vaga garantida para o Brasil, que vai tentar classificar uma atleta no masculino (1).

CICLISMO BMX – São duas vagas certas (uma por naipe). Para ganhar mais é preciso, no ranking de nações, ser top7 no masculino (viável) e top3 no feminino (impossível). (2 a 3).

CICLISMO MTB – Regras parecidas com o BMX, mas o masculino precisa ser top13 (será) e o feminino top8 (muito difícil) (2 a 3).

CICLISMO PISTA – São quatro vagas garantidas (duas por naipe). Se ficar entre os 13 primeiros no ranking feminino, são mais duas vagas (hoje o Brasil é 15.º). No masculino, é necessário ser top3 do continente para ganhar duas e top4 para ficar com uma extra. Hoje o País é quinto, mas tende a subir se trouxer quem está na Europa para competir aqui. (4 a 8).

SALTOS ORNAMENTAIS – O Brasil está garantido só nas provas sincronizadas (oito vagas). É possível e plausível ter mais pelo menos um atleta em cada prova individual, até mais na plataforma (8 a 14).

ESGRIMA – São oito vagas certas, às quais podem ser acrescidas outras conquistadas pelos critérios regulares. Pelo nível técnico atual e por conta da chegada de “estrangeiros”, é possível pensar em mais de quatro a cinco vagas. Só na última Olimpíada o Brasil levou três atletas. (8 a 13).

GOLFE – Será um no masculino, outro no feminino, por convite. Para obter nova vaga, teria que ter dois atletas dentro da zona de classificação pelo ranking, o que é praticamente impossível (2).

HÓQUEI – Vai levar 16 se ficar entre os 30 primeiros do ranking olímpico no masculino. O time feminino já não tem mais chances de receber convite, por deficiência técnica.

REMO – São duas vagas garantidas (uma por naipe), se o Brasil não conseguir nenhuma por critérios técnicos, mas isso acontecerá. É provável a classificação com quatro barcos, ganhando seis credenciais (2 a 6).

PENTATLO MODERNO – O Brasil tem duas vagas garantidas (uma por naipe), no caso de não conseguir por outros métodos. Só no feminino é possível chegar a duas pelo Pan. (2 a 3).

TIRO ESPORTIVO – É a modalidade que mais dá chances para um atleta brasileiro se classificar. São nove vagas certas, mas dá para pensar mais longe, até umas 12 vagas (9 a 12).

MARATONAS AQUÁTICAS – A conta é simples: o Brasil tem garantido um por gênero. Para ter dois, precisa colocar ambos no top10 do próximo Mundial. (2 a 4).

TAE KWON DO – A modalidade dá ao Brasil quatro vagas (duas por naipe). Uma quinta, só em caso de o Brasil classificar cinco pelo ranking mundial. O limite é oito (4 a 6).

TÊNIS – O Brasil tem presença garantida nas cinco chaves, mas os atletas das duplas mistas não podem ser inscritos só para essa disputa. Assim, são 6 vagas garantidas. Só em duplas masculinas dá para sonhar, hoje, com uma vaga extra (6 a 8).

TRIATLO – São duas vagas garantidas e dificilmente vai passar disso. Chance só de classificar dois a partir do ranking masculino (2 a 3).

LUTA – Quatro vagas garantidas, independente do gênero, e uma quinta viria só se o Brasil conseguir cinco pelos critérios técnicos. Logo, serão quatro mesmo (4).

LEVANTAMENTO DE PESO – Mesma situação da luta. Serão, assim, só as cinco vagas ganhadas como país-sede (5).

GINÁSTICA DE TRAMPOLIM – O Brasil não tem condições de conseguir mais do que a uma vaga dada pelo COI (1).

GINÁSTICA RÍTMICA – Por ser país sede, o Brasil terá equipe e uma atleta no individual. Uma segunda competidora no individual é quase impossível (6).

GINÁSTICA ARTÍSTICA – O Brasil pode levar um garoto e uma garota, mas pretende ter equipe nos dois naipes (2 a 10).

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