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Brasil é 4º no Mundial de Revezamentos e volta a ficar entre os melhores do mundo

Demétrio Vecchioli

26 de maio de 2014 | 00h35

Brasil é 4º no mundial

Veio de onde menos se esperava o melhor resultado do Brasil no Mundial de Revezamentos da Iaaf (Associação das Federações Internacionais de Atletismo), que estreou no calendário internacional no último fim de semana. O revezamento 4×100 metros masculino conseguiu um ótimo quarto lugar e voltou a se colocar entre os melhores do mundo, revisitando uma tradição brasileira na prova que já rendeu duas medalhas olímpicas ao País.

“A medalha seria uma grande recompensa por todo o esforço que tivemos. Mas temos de reconhecer que esta equipe começa bem e mostra que o trabalho está sendo bem feito”, festejou Bruno Lins. “Claro que todos queríamos o pódio, mas ficou claro o nosso potencial. Depois de um bom tempo longe das finais, o Brasil está de volta ao 4×100 m”, completou Aldemir Gomes.

O cético dirá que os melhores do mundo não estavam nas Bahamas. E isso é, em parte, verdade. Usain Bolt não foi ao Mundial, mas Yohan Blake estava lá. Mas a avaliação precisa ser feita principalmente sobre o tempo feito pelos brasileiros. A marca a se levar em consideração é o 38s10 das eliminatórias, que caiu para 38s40 na final.

Vejamos o que significa esse tempo de 38s10:

– É o melhor do Brasil desde o Mundial de Osaka/2007, quando a equipe fez 37s99 para ficar no quarto lugar. Na época, a Jamaica, com 37s89 (apenas 0s21 a menos do que o Brasil fez neste domingo) , batia seu recorde nacional.

– Noves fora EUA e Jamaica (que estão outro nível), ninguém ficou muito à frente no Brasil nos últimos três anos. Trinidad & Tobago correu duas vezes abaixo de 38s10 (fez 37s91 em 2011), assim como  Alemanha (38s02 em 2012) e Canadá (37s92 em 2013). O  Japão fez  um isolado 38s07 no Mundial de 2012. Nas Bahamas, os trinitinos fizeram 38s04 e a Grã-Bretanha surpreendeu com 37s93 nas eliminatórias.

Assim, considerando que a França tem potencial para crescer, são apenas seis times com chances de correr de igual com o Brasil atualmente. O cenário empolga por diversos motivos:

– O Brasil não tem nenhum atleta correndo abaixo de 10s15. Ou seja: ninguém que brigue por resultados em provas individuais. Assim, os atletas têm disposição para treinar a passagem de bastão e a corrida em curva.

– São comuns as quedas de bastão. Os EUA, por exemplo, ficou de fora de cinco das últimas 10 grandes competições, eliminados. Cada vez que sai de uma prova, deixa uma medalha em aberto.

– O time brasileiro é jovem. Competiu nas Bahamas com Aldemir Gomes (21), Jefferson Lucindo (23), Jorge Vides (20) e Bruno Lins (27). E ainda tem na reserva o garoto Vitor Hugo (18), terceiro mais rápido do mundo, ano passado, na categoria dele.

REVEZAMENTOS – Se ficou faltando uma medalha, o Mundial das Bahamas mostrou que o Brasil está evoluindo nas provas de revezamento. E, crescer como equipe, é sinal de uma melhora, ainda que gradual, no nível do atletismo no País.

O Brasil fez final nas quatro provas olímpicas do Mundial. No 4x100m feminino, foi apenas o sétimo, mas há de se considerar o peso da ausência de Ana Cláudia Lemos, machucada. Com o tempo das eliminatórias do Mundial do ano passado, ganharia o bronze nas Bahamas, só atrás de EUA e Jamaica.

No 4x400m masculino esperava-se mais do time brasileiro, que sentiu a falta de  Hugo Balduíno, segundo principal nome do país, que sentiu-se mal após as eliminatórias de sábado. Assim, não se sabe se dava para melhorar o tempo de 3min02s78 das eliminatórias. A equipe, porém, é jovem e, se conseguir atingir a meta de abaixar para a casa dos 2 minutos, vai brigar por medalhas em 2016.

No 4x400m feminino valeu por fazer final e, assim, garantir-se no Mundial de Atletismo do ano que vem, na China. Não há do que reclamar do tempo de 3min30s37, mas dá para fazer melhor. Em 2011, com um time parecido, o Brasil fez 3min26s68. Mesmo que repita isso, porém, não vai disputar medalha na Olimpíada.

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