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Brasil fatura quatro medalhas na Copa do Mundo de Vela

Demétrio Vecchioli

26 de abril de 2015 | 12h37

Uma das modalidades com maior expectativa de medalhas nos Jogos Olímpicos do Rio, a vela brasileira encerrou um jejum de 15 meses e voltou a fechar uma competição com mais de um pódio. E para acabar de vez com a má fase, foram quatro medalhas de uma só vez. Na etapa de Hyères (França) da Copa do Mundo, o Brasil garantiu ouro na 470 Feminina com Fernanda Oliveira e Ana Luiza Barbachan, prata na 49er FX com Martine Grael e Kahena Kunze e bronze com Robert Scheidt na Laser e Patrícia Freitas na RS:X Feminina.

Maior medalhista olímpico da história do País, Scheidt não ia ao pódio de uma competição importante desde a primeira etapa da Copa do Mundo do ano passado. Na sequência, bateu na trave em seis eventos seguidos. Chegava à medal race, mas terminava sem medalha. Foi quarto no evento-teste da vela no Rio e quinto no Mundial. Enquanto isso, só Martine e Kahena faziam as honras do Brasil.

Neste domingo, em Hyères, Scheidt ficou no quarto lugar da medal race, chegando aos 66 pontos perdidos. O brasileiro passou três adversários na classificação geral, mas não alcançou o britânico Nick Thompson, que terminou com 57 pontos, em segundo. O ouro ficou com o australiano Tom Burton.

MULHERES – Para Fernanda Oliveira, é a volta aos grandes resultados. Sexta na Olimpíada, ela venceu três etapas seguidas da Copa do Mundo de Vela no início de 2013, mas ficou grávida e precisou se afastar das competições. Desde o retorno, há um ano, bateu na trave em sete eventos de alto nível, sempre entre o sexto e o quarto lugar.

Em Hyères, encerrou o jejum de medalhas ganhando o ouro de forma incontestável, liderando desde o segundo dia da etapa. Na medal race, completou em segundo, fechando com 45 pontos perdidos. A prata ficou com Jo Aleh e Polly Powrie, da Nova Zelândia, com 53. A dupla da França terminou com o bronze.

Já Martine Grael e Kahena Kunze retomaram a sequência de pódios com a prata em Hyères. Desde que estrearam na classe, em novembro de 2013, elas só não haviam faturado medalha em dois eventos, quebrando a série de pódios com o quinto lugar no Troféu Princesa Sofia, no início do mês.  As brasileiras disputam o posto de melhores do mundo com Ida Marie Nielsen e Marie Olsen, dinamarquesas que faturaram o ouro na França.

SURPRESA – Depois do bronze de Dante Bianchi e Thomas Low-Beer na 49er no Princesa Sofia, agora foi a vez de Patrícia Freitas surpreender. Aos 25 anos, a atleta carioca (nascida nos EUA, quando o pai trabalhava lá) nunca havia ido ao pódio de um evento de Copa do Mundo ou equivalente, ainda que estivesse acumulando participações em regatas da medalha. Em Hyères, ela foi terceira colocada na medal race, chegando a 104 pontos perdidos e mantendo o terceiro lugar. Ficou atrás da francesa Charline Picon (prata) e da holandesa Lilian De Geus (ouro). 

OUTROS RESULTADOS  – Como o Brasil tem garantida presença em todas as classes nos Jogos do Rio-2016, a seletiva é interna, para escolher o representante do País. E a Copa do Mundo de Hyères é um dos 11 eventos escolhidos pelo Conselho Técnico da CBVela para avaliar os candidatos. Desses, seis aconteceram em 2014 e outros quatro serão este ano.

Na Laser, Robert Scheidt praticamente carimbou o passaporte porque Bruno Fontes voltou a ir mal, em 28.º. O mesmo na 470 Feminina, com Renata e Isabel fora da medal race. Martine e Kahena, por falta de concorrentes, já estão convocadas para os Jogos.

Em outras duas classes (além da RS:X Feminina), a CBVela já apontou os escolhidos. Jorge Zarif foi 23.º na Finn e segue sem resultados satisfatórios desde o título mundial de 2013. Na RS:X, Bimba foi mal neste sábado e terminou Hyères em 13.º.

Brigando pela vaga, Henrique Haddad (Gigante)/Bruno Amorim chegou em 20.º na 470 Masculina, 13 posições à frente de Geison Dzioubanov/Gustavo Thiesen. Na 49er, Marco Grael/Gabriel Borges não conseguiu repetir o bom desempenho do Princesa Sofia, mas bateu Dante Bianchi/Thomas Low-Beer por 17 posições (18.º a 35.º). Nos dois casos, a disputa está aberta.

Na Laser Radial, só Fernanda Decnop foi a Hyères, terminando no 34.º lugar. Por fim, na Nacra 17, nova classe mista olímpica, os gaúchos Samuel Albrecht e Geórgia da Silva (28.º) voltaram a ir melhor que os cariocas João Siemsen Bulhões e Gabriela Nicolino de Sá (34.º).