Brasil fatura três de ouro no segundo dia do Mundial de Natação
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Brasil fatura três de ouro no segundo dia do Mundial de Natação

Demétrio Vecchioli

04 de dezembro de 2014 | 15h58

Satiro Sodré/SSPress

Satiro Sodré/SSPress

O Brasil faturou três medalhas de ouro no segundo dia do Mundial de Piscina Curta de Doha (Catar), nesta quinta-feira. Ganhou nos 100m peito com Felipe França e em dois revezamentos que estreiam em Mundias este ano: o 4×50 metros medley masculino (Cesar Cielo, Felipe França, Guilherme Guido e Nicholas Santos) e o 4×50 metros medley misto (Etiene Medeiro, Nicholas, França e Larissa Oliveira).

Na prova mista, os técnicos decidem como mesclarão dois homens e duas mulheres entre os quatro estilos. A competição é em piscina curta (não olímpica), em provas rápidas de estilos (não olímpicas), em revezamento 4x50m (não olímpico) e mista (não olímpico). Se não tem nenhuma representatividade além da festa pós-medalha, pelo menos dá moral merecida a Etiene Medeiros, que abriu nos 50m costas a 0s14 do recorde mundial, batendo o recorde sul-americano. Ela e Larissa Oliveira são as primeiras brasileiras medalhistas em Mundiais de Natação.

No masculino, porém, o papo é outro. Depois de garantir o ouro no revezamento 4×50 metros medley masculino, o primeiro do dia, Cesar Cielo comemorou lembrando que o recorde mundial serve para “deixar essa geração como uma das melhores da história”. A declaração é representativa. O título tem nenhuma influência para elevar o status do Brasil na natação. Serve, porém, como uma espécie de consagração para uma geração de velocistas que, exceto Cielo, não teve sucesso em Olimpíadas até hoje. O campeão olímpico, aliás, fez o melhor tempo na semifinais dos 50m livre.

Cesar Cielo, Felipe França e Guilherme Guido são absolutamente da mesma geração – nasceram todos em 1987. A prova de 50 metros, porém, só consta no programa olímpico no estilo livre. As disputas de apenas uma piscina (50m) nos estilos peito, costas e borboleta não são existem em Jogos Olímpicos, uma vez que o COI entende que as provas premiariam os mesmos atletas que se destacam nos 100m nos respectivos estilos.

Felipe França surgiu em 2008, nadou os 100m peito em Pequim, e bateu o recorde dos 50m no início de 2009. O feito, aliado ao ouro no Mundial de Piscina Curta de 2010, instigou o nadador a continuar na prova curta. Para Londres/2012, tentou mudar o foco para os 100m, mas não conseguiu passar de semifinal. Neste ciclo olímpico, tem priorizado a disputa mais longa, mas é só o 10.º do ranking mundial.

Desde o Pan-Pacífico, em agosto, porém, tem treinado em piscina curta. Somando a isso o fato de que diversos dos top20 do mundo não terem ido a Doha, chegou como um dos favoritos à final dos 50m peito, também nesta quinta-feira. Com direito a recorde do Mundial (56s29), garantiu a medalha de ouro. Seu grande feio foi superar o britânico Adam Peaty, líder do ranking mundial na prova em piscina longa, que ficou com a prata.

Guilherme Guido tem trajetória parecida com a de Felipe França, mas no nado costas. Também surgiu em 2008, no Mundial de Curta, fez uma boa temporada de 2009 na prova de 50m metros costas e acabou se especializando nas disputas não-olímpicas. Do 27.º lugar no Mundial de Xangai/2011, na piscina longa, passou ao bronze na mesma prova de 100m costas no Mundial de Istambul/2012. Sintoma de que se acomodou na menor concorrência nas piscinas curtas.

Cansado por nadar os 100m costas em Doha logo depois do ouro no revezamento, ficou apenas no quinto lugar na final desta quinta-feira. Repetisse os 50s12 das eliminatórias, seria bronze. Como comparação, é o número 48 do mundo em piscina longa nesta prova. Não é nem mesmo o melhor do País – ficou atrás de Thiago Pereira e Fábio Santi este ano.

Por fim, Nicholas Santos é um veterano de 34 anos, que já deu tudo que podia ao revezamento 4x100m livre do Brasil (ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio/2o07 e de Guadalajara/2011). Nos últimos anos, tem focado nos 50m borboleta, o que fez dele campeão mundial há dois anos em piscina curta. Na quarta, não conseguiu avançar à final dos 100m borboleta. É, porém, um dos favoritos ao bicampeonato nos 50m – é terceiro do ranking mundial.

JOÃO DE LUCCA – O carioca abriu o revezamento 4x200m do Brasil com 1min41s85 e bateu o recorde sul-americano na distância. Ele sabe, porém, que precisa mais. É atual bicampeão norte-americano universitário da prova, mas a NCAA nada em piscina de jardas. Na prova individual dos 200m, disputada na quarta, não conseguiu avançar à final. Se fizesse 1min41s85 na decisão, seria bronze, à frente do Ryan Lochte. O revezamento foi sexto.