Brasil não precisa burlar regras e trazer classe Star de volta à Olimpíada
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Brasil não precisa burlar regras e trazer classe Star de volta à Olimpíada

Demétrio Vecchioli

23 de janeiro de 2014 | 15h00

Quatro meses depois de assumir a presidência do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach veio a Brasília nesta quarta-feira para se reunir com a presidente Dilma Rousseff, o governador do Rio Sergio Cabral e o prefeito Eduardo Paes. Na pauta, a promessa de que as esferas governamentais vão cumprir todos os compromissos assumidos para a Olimpíada de 2016. (A matéria da AE sobre a reunião você pode ler aqui).

Mas, segundo o jornal Lance!, Bach trouxe na mala também a promessa de que atenderia um suposto pedido da presidente Dilma para reaceitar a classe Star como integrante do programa olímpico já nos Jogos do Rio/2016.

É óbvio que a Star, classe mais popular do mundo, presente nos Jogos desde 1932, precisa voltar a ser disputada numa Olimpíada. Mas é tarde demais para incluí-la agora, para que esteja no Rio. Seria uma medida absolutamente populista, que visaria majoritariamente beneficiar o Brasil, que tem na Star sua maior fonte de medalhas nas raias. E isso vai contra todo o espírito olímpico.

Foi a Isaf (Federação Internacional de Vela) quem decidiu pela exclusão da Star, porque ela não faz parte dos planos da modalidade. Os barcos de quilha exigem menos do físico e, por isso, dão espaço para que veteranos superem os mais jovens na base da técnica mesmo. Por outro lado, classes como a 49er  e a 470 atraem cada vez mais jovens. É a sobrevivência da vela, na visão da Isaf.

Podemos concordar ou não, mas foi uma decisão tomada por um colegiado do órgão máximo da vela. E isso não pode ser mudado pela simples vontade do Brasil de ter mais um barco competitivo para cumprir a meta de terminar os Jogos do Rio no top10 do quadro de medalhas. Esporte é muito mais do que isso.

Estamos a sete meses do Mundial de Santander (Espanha), que vai definir 50% dos classificados para os Jogos do Rio. Não dá para inventar uma classe olímpica nesse meio tempo.

Vejamos o exemplo do Brasil (que já tem vaga na Olimpíada), que pode ser espelhado para outros países. A lógica seria Robert Scheidt sair da Laser e Bruno Prada da Finn. Isso abriria vagas na seleção nessas duas classes. Atletas que não estão sendo preparados para elas teriam que disputar vagas na Olimpíada com seis meses de treino. Tudo para o Brasil ser beneficiado?

O Brasil olímpico não precisa disso. Nem o maior espaço na mídia para a vela é argumento. Robert Scheidt estará brigando por medalha em qualquer classe que competir. Além dele, existe chance real de pódio na Finn, na 470 Feminina, na 49er FX e na RS:X Masculina. Se nem com isso o público brasileiro se interessar pela vela, não há mais o que se fazer.

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