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Brasil promete começar a controlar doping de 200 atletas fora de competições

Demétrio Vecchioli

24 de fevereiro de 2015 | 18h10

Criada em 2011, a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem promete finalmente começar a fazer um trabalho efetivo em 2015. Nesta terça-feira, em entrevista publicada em site do governo federal, o presidente da ABCD, Maro Aurélio Klein, revelou que a entidade fará acompanhamento antidoping periódico em 200 atletas de alto rendimento já a partir de março. Isso significa que eles podem ser testados a qualquer hora, de qualquer dia, em qualquer local. Se quiserem se dopar, terão que contar com o fator sorte para não serem pegos.

Os esportistas terão que informar à ABCD o seu paradeiro diário a cada 90 dias, podendo ser submetidos a testes surpresas a qualquer momento – se não estiverem onde disserem que estariam, podem ser punidos. Atualmente, o Brasil não faz este tipo de controle, ainda que alguns atletas estejam no grupo de controle das federações internacionais das modalidades.

“No Brasil, não eram feitos testes de controle de dopagem fora de competição. Em 2013 e 2014, não foi feito nenhum. Enquanto isso, alguns países, como os Estados Unidos, caminham para chegar neste ano a 80% dos testes fora de competição. Nós vamos começar em 20% e subir ao longo de 2015 e 2016. É uma mudança significativa”, explica Klein.

Hoje, o atleta que se dopa às vésperas de competição, além de trapaceiro, é ingênuo. Por isso, muito provavelmente, o número de testes positivos em competição é expressivamente mais baixo do que os que apareceriam se houvesse controle fora de competições, como vai haver.

O presidente da ABCD deixa claro que os atletas que entrarão neste grupo de controle são aqueles que têm tudo para estar nos Jogos do Rio/2016. Não à toa, a maior parte dos nomes sairá da lista de contemplados pelo Bolsa Pódio, programa do governo federal que beneficia candidatos à medalha em 2016.

“Os nomes já foram selecionados e estamos agora em processo de elaboração e produção dos acessos e das senhas para o sistema. Se um atleta já estiver dentro do controle da federação internacional, ele pode continuar sendo testado por lá ou a entidade pode transferir a custódia desse teste para nós. É uma negociação que estamos fazendo com cada federação internacional”, revela Klein.

Na opinião do dirigente, o cerco ao doping é irreversível e trará benefícios aos atletas. “A ideia é criar todos os mecanismos e ações possíveis para proteger o atleta brasileiro que vai chegar aos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, mas também o atleta que compete no dia a dia. Esse é um processo para a carreira dos atletas, para sempre.”

Na natação, o Brasil divide com a Rússia o posto de país com mais casos de doping nos últimos anos. No ciclismo, os dois únicos testes feitos em atletas femininas de estrada em 2014 deram positivo. O boxe teve uma campeã mundial (Roseli Feitosa) entre as três atletas pegas no doping no Brasileiro de 2013. É muito doping para pouco teste.

“Há uma tendência internacional de aumento no número de testes realizados fora de competição. Antigamente, os atletas só eram testados em campeonatos, de acordo com a forma estabelecida para cada modalidade. A tendência hoje em todo o mundo é de uma menor quantidade de testes, mas com mais qualidade e foco no tipo de análise a ser feita em função da característica específica de cada modalidade”, completa Klein.

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