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Brasil volta a ter uma seleção de ginástica artística feminina

Demétrio Vecchioli

06 de abril de 2015 | 01h18

Vieram da ginástica artística os resultados mais importantes do fim de semana olímpico brasileiro. As medalhas em etapas de Copa do Mundo devem sempre serem ponderadas porque, na falta de rivais de alto nível, às vezes elas não significam nada. Os três pódios obtidos em Liubliana (Eslovênia), porém, são bastante simbólicos. Julie Kim Sinmon, Lorrane Oliveira e Rebeca Andrade com medalha num mesmo torneio mostra que, graças à nova geração, o Brasil tem de novo uma seleção de ginástica artística feminina.

Basta lembrar que Jade Barbosa é a última grande ginasta revelada pelo Brasil e ela já tem 23 anos – estreou como adulta há oito anos, portanto. Mesmo a produção de atletas “medianas” (importantes para a seleção, mas não a nível de disputar medalha em mundial) tem sido fraca. Os casos mais recentes são Ethiene Medeiros (estreou em 2008) e Bruna Leal (em 2009). Lá se vão seis anos sem novos nomes.

Agora, de uma vez só, o Brasil ganha três atletas de nível. Rebeca Andrade é fora de série e não é de hoje. Há três anos (quando ainda era infantil) já é a melhor ginasta do País. Em Liubliana, competiu ainda em recuperação de uma lesão no pé e só participou das barras assimétricas, de longe o aparelho mais fraco entre ginastas brasileiras. Com os 14.300 da classificação, ficaria no 18.º lugar do Mundial passado numa prova que não é o seu forte – no Brasileiro Juvenil do ano passado, somou 14.500.

Na final em Liubliana, Rebeca errou e acabou com medalha mesmo assim, prova do baixo nível técnico da competição. Importante é que ver que a garota, de 15 anos, quebrou o gelo da estreia com uma boa apresentação nas eliminatórias e voltou para casa com medalha – de bronze.

Ótimo também que Lorrane Oliveira e Julie Kim Sinmon tenham ido ao pódio na Eslovênia, com prata e bronze na trave. As notas (1.3700 no quali e 13.525 na final para Lorrane, 13.225 para Julie na final) não chegam a ser um primor, mas já são muito melhores do que o Brasil apresentou no Mundial ano passado. Na ocasião, só Julie foi bem, com 13.433. A segunda melhor nota, de Daniele Hypolito, foi 13.200.

Lorrane tem só 16 anos. Ela poderia ter competido como adulta no ano passado, mas sofreu com lesões. Agora, fez duas etapas seguidas de Copa do Mundo e mostrou que tem plenas condições de compor a equipe que vai ao Mundial precisando ficar entre as oito primeiras colocadas para se garantir na Olimpíada. Rebeca Andrade, Flávia Saraiva (que fará sua estreia como “adulta” este ano) e Jade Barbosa são nomes certos se não tiverem lesão e devem brigar por finais em aparelhos e no individual geral.

De resto, são pelo menos outras nove ginastas brigando por três vagas. Daniele Hypolito, pela experiência e possibilidade de fazer final em aparelhos larga como favorita. Mas garotas como Lorrane Oliveira, Julie Kim, Mariana Oliveira e Isabelle Cruz estão na briga. Como Jade, Flávia e Rebeca pontuam alto em todos os aparelhos e quatro notas são consideradas, acredito que a convocação pode ser para que cada uma das três escolhidas façam um aparelho bem.

MASCULINO – Entre os homens, a etapa de Liubliana foi um teste diferente do caso das mulheres. A seleção brasileira já tem pelo menos 10 bons nomes, brigando por seis vagas na equipe, e a comissão técnica quis fazer testes com atletas de fora deste grupo.

Como previsto, o destaque foi Ângelo Assumpção, de 18 anos, que está no segundo ano como adulto e foi quinto colocado no individual geral do Brasileiro do ano passado. As notas dele no solo (14.600) e no cavalo com alças (13.300) teriam sido consideradas para o resultado da equipe brasileira no Mundial do ano passado (são seis atletas, cinco se apresentam, mas entram as quatro melhores notas), enquanto no salto (14.500) ele ficaria 0.100 abaixo da nota de corte.

Felipe Arakawa, de 20 anos, aproveitou relativamente bem a oportunidade e deve ter outras, ainda que não tenha feito final em Liubliana. Renato Oliveira foi bem no solo, mas nada que indique que, aos 24 anos, ele deva entrar na seleção brasileira. O mesmo para Hudson Miguel, que tem 22 e não teve apresentações de destaque na Eslovênia.

Hoje, a seleção tem Sergio Sasaki e Arthur Nory Mariano garantidos, se estiverem bem fisicamente. Diego Hypolito e Arthur Zanetti sabem que precisam ajudar em mais aparelhos e estão treinando para isso. Aí, são duas vagas para ginastas mais completos, preferencialmente quem vá bem no cavalo com alça, barra fixa e barras paralelas. Caio Souza, Lucas Bitencourt, Henrique Flores, Péricles Silva, Pétrix Barbosa e Ângelo Assumpção disputam essas últimas duas credenciais.

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