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Brasileiras do bobsled avisam: têm ‘direito’ de competir em Sochi

Demétrio Vecchioli

18 de fevereiro de 2014 | 06h00

Sally Maiara e Fabiana Santos, atletas do Brasil no bobsled, são como eu e você. Elas têm internet. E leem comentários (que não são poucos) criticando o gasto do COB, da CBDN (Neve) e da CBDG (Gelo) para levar a Sochi atletas sem qualquer perspectiva de conquistar bons resultados. Nos comentários deste blog mesmo são muitos os leitores que reclamam de, na opinião desses internautas, brasileiros serem financiados para “envergonharem” o Brasil ficando nas últimas posições em modalidades que não são usualmente praticadas por aqui.

Antes mesmo de estrearem em Sochi (o que acontece por volta das 13h desta terça-feira), as brasileiras do bobsled já se defendem das críticas por um eventual resultado ruim.  “O Brasil fez um trabalho duro e sério para obter essa classificação inédita. Passamos por um processo de classificação que não foi fácil, mas conquistamos esse direito. Temos total noção do que é representar o nosso país em uma edição de Jogos Olímpicos”, comenta Fabiana Santos, piloto da dupla e dona da vaga olímpica.

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Ela tem razão. Ainda que se conteste as prioridades do COB, não há como negar que as atletas têm direito de participar dos Jogos Olímpicos – e, afinal, é para isso que serve um comitê olímpico. Os critérios de classificação do bosbsled, se não rigorosos como do snowboard, não eram lenientes como do esqui alpino ou do cross country, que ajudam países sem neve a disputarem os Jogos de Inverno.

Não havia, por exemplo, qualquer cota continental no bobsled. O Brasil se classificou porque cumpriu a meta de chegar ao dia 19 de janeiro dentro do grupo das 40 melhores do ranking mundial – atualmente, está em 29.º. Ainda que tenha mais tradição no esporte, das oito norte-americanas do ranking, só três estão na frente de Fabiana (o ranking é individual, relativo à piloto). Bélgica e Espanha, por exemplo, tentaram a vaga olímpica e não conseguiram. Perderam do Brasil, numa disputa em que nenhum país foi beneficiado.

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Justas? Injustas? São as regras determinadas pelo Comitê Olímpico Internacional. Já na esfera nacional, Pela Lei Piva, cada confederação nacional de modalidade olímpica ganha uma verba anual. Existe um piso, que é o que CBDN e CBDG recebem. Cabe a elas decidir o que fazer com esse dinheiro (R$ 1,6 milhão cada). A CBDG acreditou que o ideal era investir em trenós para tentar classificar o Brasil no bobsled. De três tentativas, acertou duas (só falhou no trenó masculino para dois).

Quanto à tendência a que os brasileiros fiquem sempre entre os últimos (como aconteceu com a Jamaica no trenó masculino para dois), não há o que se fazer. Existe uma discrepância tecnológica entre os trenós. Com a anuência do COI, o bobsled virou uma Fórmula 1 olímpica, com vantagem clara para quem tem o melhor equipamento. O trenó está em Sochi, os atletas também. As primeiras descidas são hoje. Agora só nos resta torcer.

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