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Do esqui no asfalto a Sochi: Ribela dá lição a jovens carentes na USP

Demétrio Vecchioli

11 de fevereiro de 2014 | 05h00

Atualizado às 9h40

Leandro Ribela pode ser só mais um dos 86 esquiadores largou na prova de sprint do esqui cross country, nesta terça-feira em Sochi, completando apenas na 80.ª posição. Mas para os garotos do Projeto Social Ski na Rua ele é um tutor, responsável por dar uma oportunidade única a diversos jovens da comunidade de São Remo, que é vizinha à Cidade Universitária da USP, em São Paulo.

Afinal, cabe a Leandro comandar a única equipe que treina no Brasil visando preparar atletas para os esportes de neve. Isso só é possível por conta do rollerski. Na prática, o que esses garotos fazem é andar no asfalto utilizando um esqui de rodinhas. Isso simula os movimentos do esqui cross country, obviamente disputado na neve. O equipamento é utilizado no mundo inteiro para os treinos realizados durante o verão.

Os treinos de Ribela e do pessoal do Ski na Rua acontecem dentro da USP, com clínicas em outros locais, como São Carlos e São Roque, onde os jovens treinaram na pista artificial de um parque da cidade. Leandro também propicia aos garotos de baixa renda, desde julho de 2012, projetos de inclusão social, como auxílio na busca pelo primeiro emprego e apoio psicológico. Com parceiros, oferece tratamento odontológico e aulas de espanhol. Os alunos ainda têm bolsa mensal de R$ 90. Conquistas de um ano e meio de trabalho, apenas.

Em agosto, três desses garotos (Vitor Melo, Caio Moreira e Paulo Santos) participaram do primeiro Campeonato Brasileiro Júnior de Esqui Cross Country, realizado em Ushuaia, na Argentina. Não custa ressaltar: adolescentes, da favela São Remo (quem frequenta a USP sabe a dificuldade social), conhecendo e competindo na neve depois de treinar na rua mesmo. Devem receber apoio da CBDN para competir internacionalmente, visando aos Jogos de 2018.

Recentemente o grupo, de cerca de 15 jovens, ganhou um novo integrante: Gustavo Silva de Souza, de 15 anos, que não tem a perna direita e treina esqui cross country para deficientes físicos, competindo tanto com um rollerski só quanto numa versão em que vai sentado numa cadeira que tem duas pernas em cada rollerski.

Ah, sobre a prova desta terça: Ribela – que é economista pela PUC-SP e tem 32 anos – larga às 8h45 (horário de Brasília), sendo o 82.º de 86 competidores. Só 30 avançam à próxima fase e o brasileiro não estará entre eles. A vitória veio em outro lugar.

Atualização: Conforme esperado, Ribela completou na 80.ª posição. 

Para a Agência Estado, fiz uma apresentação da competição desta terça. Lê lá.

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