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Brasileiros são os que mais evoluem, mas medalhas ainda estão distantes

Demétrio Vecchioli

12 de agosto de 2013 | 23h28

Ana Claudia 2

Augusto Dutra chegou ao Mundial de Moscou como sétimo do ranking mundial, com 5,82m como melhor marca. Falhou ao tentar saltar 5,75m e terminou apenas com 11º colocado no salto com vara. Desempenho decepcionante? Nem um pouco, se formos considerar quanto evoluiu o atleta nesta temporada.

Ninguém no mundo evoluiu tanto (e, aliás, são raros os atletas que deram um salto de qualidade tão grande em tão pouco tempo). Em Moscou, Augusto conseguiu saltar 20cm mais alto do que aquele que era seu recorde pessoal em 1º de janeiro. Não é pouca coisa.

Dos 13 atletas que disputaram a final em Moscou, só outros dois evoluíram com relação ao começo do ano: o japonês Yamamoto, que tinha 5,65m até o ano passado e fez 5,75m (recorde pessoal) no Mundial e o checo Kudlicka, que ganhou dois centímetros em relação ao que sabia fazer em 2012.

“Fico chateado por não ter conseguido um bom resultado na final. Ao mesmo tempo, foi excelente chegar até aqui em meu primeiro mundial. Ganhei experiência e acho que posso render mais no futuro”, disse Augusto, ao fim da prova.

ANDERSON HENRIQUES – Pode parecer desculpa antecipada, mas independente do que acontecer com Anderson Henriques na final dos 400m nesta terça-feira, vale o mesmo argumento usado com Augusto. O gaúcho de apenas 21 anos também chegou bem mais longe do que se poderia imaginar no começo do ano.

Dos oito finalistas, só três fizeram, na semifinal do Mundial, tempo melhores do que o que tinham como recordes pessoais do fim do ano passado. Anderson está entre eles e melhorou sua marca 0s64. Só como comparação, o brasileiro avançou à final com o oitavo tempo, a 0s35 do astro LaShawn Merritt, o mais rápido. Com exceção do saudita Masrahi, nenhum dos 24 semifinalistas evoluiu tanto.

100M – O mesmo argumento poderia ter sido usado para os 100m rasos feminino. O problema é que as duas brasileiras inscritas na prova, Ana Cláudia Lemos e Franciela Krasucki, fizeram suas melhores marcas nas eliminatórias e não nas semifinais. E por isso estão foram das finais.

De todas as 24 semifinalistas, nenhuma evoluiu tanto no ano quanto Franciela, que ganhou 0s18 entre o seu melhor tempo até o começo do ano e seu resultado no Mundial. Mas os 11s17 vieram nas eliminatórias. Na semifinal, o tempo de 11s34 a deixou em 15º.

Ana Cláudia Lemos também evoluiu bastante na temporada. Foi de 11s15 para 11s05 estabelecendo o novo recorde sul-americano. No Mundial, fez 11s08 nas eliminatórias e 11s25 na semifinal, terminando com a 11ª marca. Se repetisse o tempo da manhã, estaria na final. De qualquer forma, ela foi uma das únicas seis, dentre as 24 semifinalistas, que correu no Mundial abaixo do que tinha como recorde pessoal no começo do ano.

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