‘Bundesliga’ atrai brasileiros até no tênis de mesa e no ciclismo
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

‘Bundesliga’ atrai brasileiros até no tênis de mesa e no ciclismo

Demétrio Vecchioli

16 de outubro de 2014 | 11h41

Fabio Piva/Divulgação

Bundesliga, no Brasil, é sinônimo de Campeonato Alemão de Futebol. Mas o termo é utilizado para diversas ligas esportivas alemãs e elas têm atraído jovens atletas brasileiros. Primeiro foi o garoto Hugo Calderano (18 anos), que se mudou para Ochsenhausen, no sul do País, para jogar o Alemão de Tênis de Mesa. Agora quem vai para Stuttgart é Henrique Avancini, de 25 anos, melhor atleta da história do Brasil no ciclismo mountain bike. Na quarta, ele assinou um contrato de dois anos para defender a Cannondale.

Número 19 do ranking mundial, Henrique será o primeiro brasileiro a competir entre as equipes profissionais da elite do mountain bike, reconhecidas pela UCI (União Ciclística Internacional). Na Cannondale, fará companhia ao alemão Manuel Fumic (prata no Mundial/2013 e quinto do ranking mundial) e ao italiano Marco Aurelio Fontana (bronze nos Jogos de Londres/2012 e no Mundial/2013 e oitavo do mundo).

“É uma das melhores, se não for a melhor equipe do mundo. Uma das grandes do Circuito Internacional. O Fontana não teve um ano tão bom, mas ainda fez bronze no Mundial. É um nível bem elevado, principalmente quanto à pilotagem. Os caras controlam a bike com maestria. Vai agregar muito pela convivência e profissionalismo da equipe. Vou ter uma equipe de apoio por trás da estrutura que vai agregar bastante para mim”, disse Henrique, em entrevista exclusiva ao blog.

Henrique já competiu fora do País, por três anos, em uma equipe menor da Ucrânia (baseada na Itália). Desde o começo do ano passado estava no novo time da Caloi, que também tem a chancela da UCI (num nível menor). Neste ano, fez toda a temporada da Copa do Mundo, além de um longo calendário nacional. Só no ranking mundial, soma 21 resultados nas últimas 52 semanas. Para o ano que vem, o número de competições vai cair.

“Continuo fazendo alguma coisa no Brasil, mas o calendário vai ser mais enxuto. O foco vai ser principalmente na World Cup e no Campeonato Mundial. Vou buscar me preparar, fazer as provas alvo da equipe, numa maneira de trabalhar da equipe”, disse Avancini. Pela estrutura do MTB, ele compete pela Cannondale nas Copas do Mundo e na Bundesliga (campeonato nacional mais forte do mundo) e pelo Brasil em Mundial, Pan e Jogos Pan-Americanos. Mesmo quando estiver defendendo a CBC (Confederação Brasileira), porém, deverá ter a estrutura da equipe à sua disposição.

A ida de Henrique para o exterior é fundamental para o Brasil levar dois atletas à Olimpíada. Todos no moutain bike sabem que é dele a vaga a que o Brasil tem direito por convite nos Jogos do Rio. Mas existe a possibilidade de o País classificar um segundo atleta, se ficar entre os 13 primeiros do ranking olímpico por nações. Hoje, o Brasil é 12.º do ranking anual e 25.º no olímpico, que começou a contar no meio do ano – Henrique teve muitos problemas mecânicos no segundo semestre, inclusive no Mundial.

Para se ter uma noção da importância do novo ciclista da Cannondale, o Brasil soma 1.766 pontos no ranking mundial, sendo que 906 vêm de Henrique. Também somam pontos os veteranos Ricardo Pscheidt (34 anos, 441 pontos) e Rubinho Valeriano (35 anos, 359 pontos).

“Venho de dois Jogos Olímpicos e 2016 pode ser minha última Olimpíada. Estou torcendo para o Brasil. Temos grande chances de conseguir dois atletas, fazer jogo de equipe. A gente tem que ter cabeça, pés no chão, para levar dois”, diz Rubinho, que sabe que depende dos pontos de Avancini para ir aos Jogos do Rio/2016 e não acha que, aos 36, estará velho demais para conseguir um bom resultado na sua terceira Olimpíada. “No MTB, se você concentrar numa prova, focar, equipe te dar estrutura, a gente tem condição.”

Se Rubinho corre de Mérida, Henrique rescindiu o contrato que tinha até 2016 com a Caloi, assinando pelo mesmo período com a Cannondale, uma das marcas do Grupo Dorel, que ano passado comprou a Caloi (a equipe brasileira segue existindo com esse nome). Ele sabe quanto o MTB brasileiro depende dele.

“Me orgulho bastante dessa responsabilidade. Meu objetivo primordial, lógico, é para eu estar na Olimpíada, mas também tenho como meta pessoal ajudar a buscar a segunda vaga. Seria uma realização profissional muito grande. Vejo isso como importância muito grande para o crescimento da modalidade no Brasil”, havia dito ao blog, domingo, em São Roque, quando foi prata na última etapa da Copa Internacional de MTB, evento brasileiro que soma pontos para o ranking internacional. Na ocasião, Rubinho ganhou.

Tudo o que sabemos sobre:

BundesligaHenrique Avancinimountain bike

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: