Campeã pega no doping pede demissão de loja e tenta voltar ao boxe
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Campeã pega no doping pede demissão de loja e tenta voltar ao boxe

Demétrio Vecchioli

15 de janeiro de 2014 | 08h00

A vida de Roseli Feitosa sofreu mais uma reviravolta. De campeã mundial a derrotada na primeira luta da Olimpíada. Foi excluída da seleção, vencida na final do Brasileiro, pega no doping, suspensa por um ano e punida com a perda da Bolsa Atleta até virar lojista na Oscar Freire pra se sustentar.

Mas a boxeadora não se deu por vencida. Leu o mesmo texto que vocês há nove dias e se inspirou na própria história. Pediu demissão da loja em que trabalhava como operadora de caixa, voltou a treinar e agora procura academias para dar aulas de boxe. “Você não sabe o quanto estou feliz, com esperança! Sua matéria que me ajudou e me deu uma luz”, me escreveu ela, pelo whatsapp, ao contar que havia decidido mudar de vida novamente.

Roseli poderia estar p. da vida comigo. Afinal, foi o Olimpílulas que denunciou que ela havia sido pega por doping, o que fez o Ministério do Esporte suspender o pagamento da Bolsa Atleta, que era o que a mantinha financeiramente. Mas ela sabia que mais cedo ou mais tarde a história seria desvendada.

Roseli errou. Usou substâncias proibidas para tirar vantagem competitiva, na ânsia de vencer. Precisava ser punida e ela mesma sabia disso. Longe de mim defender o doping, mas jamais o esporte pode virar as costas para quem erra, quem falha. O boxe não pode fazer com uma campeã mundial o que faz com Roseli.

Vou dar três exemplos. Victor Penalber liderou o ranking mundial de judô durante boa parte do ano. Em 2008, foi pego no doping por diurético e pegou dois anos de suspensão. Continuou recebendo apoio da família e do clube (na época, o Gama Filho). Cinco anos depois, era o melhor do mundo.

Geisa Arcanjo, minha conterrânea, foi a primeira brasileira campeã mundial juvenil no atletismo. Mas a pesista foi pega no doping (por diurético, o que, no caso dela, prejudica o desempenho esportivo) e perdeu o título. Dois anos depois, foi a melhor brasileira nos Jogos de Londres no atletismo, única finalista.

Bruno Lins. Bruno Lins! Estava no meio do maior escândalo de doping do esporte brasileiro, ficou dois anos suspenso,voltou, e, na primeira temporada, conquistou o sexto lugar nos 200m no Mundial de Atletismo de 2011.

É a hora de o esporte pegar na mão de Roseli e mostrar a ela que a vida esportiva não acabou. Que para todos há uma segunda chance. Um campeão não pode ser largado na sarjeta.

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