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César Castro é ouro em San Juan. Dá pra sonhar longe?

Demétrio Vecchioli

21 de maio de 2013 | 20h39

César Castro com sua primeira medalha de ouro em GPs

César Castro com sua primeira medalha de ouro em GPs – Crédito: Alice Kohler

O fim de semana foi de resultados a primeira vista bastante significativos para o Brasil pelo mundo, especialmente em modalidades onde não temos nenhuma tradição (saltos ornamentais, ginástica rítmica, triatlo). Mas será que as medalhas em Copas do Mundo e Grand Prix nos quatro cantos do globo indicam que o Brasil de uma hora para outra virou potência olímpica? Lógico que não. Mas o que significa isso? Vamos estudar, a começar pelos saltos ornamentais.

César Castro (30 anos) ganhou uma medalha de ouro no GP de San Juan, uma etapa criada esse ano no circuito da Fina. Provavelmente por ser num país em desenvolvimento (Porto Rico) e por ser um evento novo, pouca gente de qualidade se inscreveu, facilitando a vida do brasileiro, campeão no trampolim de 3m.

César foi bem sempre. Fez 435 pontos nas eliminatórias, 448 na semifinal e 467 na final. Deixou para trás o chinês Sun Zhyi, que fez 452 e ficou com a prata. O mesmo havia somado 493 na semifinal, mas não repetiu o desempenho na decisão.

Dentro do nível dos GPs, o desempenho do brasileiro foi muito bom. Nas outras quatro etapas, com essa pontuação, ele conseguiria duas pratas, um bronze e um quarto lugar. Nada mal. Mas a nível olímpico o buraco é mais embaixo. Em Londres, seria o oitavo colocado – o que também não seria ruim.

A esta análise fria de números se somam alguns fatos. A começar da velha máxima: “treino é treino, jogo é jogo”. César teve, no treino, um ótimo desempenho, melhor do que os outros que também estavam treinando. Mostrou que sabe fazer. Agora precisa mostrar isso no jogo – Mundial de Barcelona, para o qual ele está classificado.

Contra César, pesa a idade. Ele está com 30 anos e só não foi o mais velho semifinalista em Londres porque competia também o norte-americano Troy Dumais, então com 32. Só que este é um craque, dono de cinco medalhas em Mundiais.

O brasileiro, por sua vez, terá 33 anos nos Jogos do Rio e, se quiser fazer bonito, terá que chegar ao auge numa idade em que a maioria dos melhores nomes da modalidade já estão aposentados há tempos. Em 2016, César disputará sua quarta Olimpíada. Foi à final em Atenas e terminou em nono, parou em 24º na fase de classificação em Pequim e em 17º na semifinal em Londres (errou um salto que o fez despencar na classificação).

A nota alta e o ouro em San Juan por enquanto são pontos fora da curva na carreira de César. Isso pode mudar se ele tiver um bom desempenho em Barcelona. Uma final com certeza daria mais confiança para o ciclo e para ignorar a idade e chegar ao auge aos 33.

MAIS GP – A CBDA levou a seleção brasileira para dois GPs (EUA e Porto Rico), mas só Hugo Parisi, além de César Castro, conseguiu índice para o Mundial de Barcelona. Em San Juan foi perdida a última chance.

Na plataforma, Cassius Duran fez apenas 326 pontos na semifinal, contra 395 necessários. Na plataforma sincronizada, Cassius/Cesar somou 342 pontos e foi bronze, resultado que significa pouco, uma vez que só havia cinco duplas inscritas. O mesmo vale para Natali/Nicoli Cruz. As irmãs tiveram 252 pontos no trampolim sincronizado, em quarto (e em último). O mínimo necessário era 285.

Vale lembrar que: 1) Todo mundo que a CBDA levou para os GPs tinha condição de fazer índice para o Mundial: a condição para viajar era conseguir essa mesma nota no Troféu Brasil. 2) Juliana Veloso acabou de ter filho. 3) As principais revelações do País estão fazendo uma clínica na China. Não sei até quando, mas não participaram do processo de seleção para o Mundial (fica a dúvida: não seria melhor trazer eles de volta antes e lhes dar a chance de ganhar experiência num evento desse porte?).

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