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Chierighini surpreende, se junta a Cielo e tira Fratus do Mundial

Demétrio Vecchioli

24 de abril de 2013 | 22h55

Bruno Fratus, mesmo fora do Mundial, postou esta foto no Twitter, desejando boa sorte ao companheiro de equipe

O terceiro dia do Troféu Maria Lenk deu a prova definitiva de que a natação brasileira é especialmente forte em provas de velocidade. Na aguardada final dos 50m livre masculino, Bruno Fratus, quarto colocado nos Jogos de Londres, não conseguiu terminar entre os dois brasileiros mais rápidos do dia e ficou de fora desta prova no próximo Mundial, a ser realizado em Barcelona.

A boa notícia é que Fratus não está excluído da prova por incompetência, mas por competência ainda maior dos seus adversários internos. O atleta do Pinheiros nadou a final em 21s92, mas foi mais 4 centésimos mais lento que Marcelo Chierighini, a jovem esperança da natação brasileira, de 22 anos, seu companheiro de clube e aluno de Auburn.

A evolução de Chierighini, vice-campeão da NCAA nas 50 jardas, é notável. Atleta do Pinheiros, ele balizou (melhor tempo do último ano corrido) com 22s34 e saiu do Maria Lenk com um tempo 47 centésimos mais rápido. Uma infinidade para esta distância.

Fratus, que teve uma recente lesão no ombro, que o fez abandonar o camping que fazia na Itália e voltar ao Brasil, acabou prejudicado pelo tempo sem treinar. Como terceiro brasileiro mais rápido, fica como reserva para o Mundial. Outros dois fizeram índice: Nicholas Santos (Unisanta), com 22s24, e o surpreendente Alan Vitória (Botafogo), com 22s21.

Mas ninguém supera Cesar Cielo. Bronze em Londres, ele mostrou que está de volta à antiga forma. Mesmo depois de passar por cirurgia nos dois joelhos e trocar de clube, Cesão continua entre os mais rápidos do mundo. Nesta quarta, fez 21s58 nas eliminatórias e 21s57 na final. Praticamente o mesmo tempo da final olímpica: 21s59.

Por enquanto, Cielo tem o segundo lugar do ranking mundial, atrás apenas do campeão olímpico Florent Manaudou (França), com 21s55.  Fratus já tinha nadado para 21s92 em Nancy, mas agora caiu para o oitavo lugar do ranking, passado pelos dois brasileiros.

Apesar de muito provavelmente saírem dos três (Cielo, Fratus e Marcelo) os dois que vão nadar os 50m nos Jogos do Rio, é ótimo olhar para o ranking mundial e ver que ainda antes do Maria Lenk eram 103 nadadores em todo o mundo nas casas de 22s ou 21s. Só nesta quarta-feira 15 brasileiros atingiram este feito e entraram na lista.

Como comparativo, no ano passado todo apenas 10 brasileiros estavam dentro desse limite da casa de 22s. Aí é a história do Tostines: tem um monte de gente boa porque tem um campeão olímpico ou tem um campeão olímpico porque tem um monte de gente boa?

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