Cielo no Minas e a polêmica: falta apoio aos campeões?
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Cielo no Minas e a polêmica: falta apoio aos campeões?

Demétrio Vecchioli

11 de março de 2014 | 02h14

O Minas Tênis Clube, de Belo Horizonte, anunciou nesta segunda-feira a contratação de Cesar Cielo. O nadador estava sem clube desde que deixou o Flamengo, em 2012, e vinha competindo pelo pequeno Clube de Campo de Piracicaba. Assim, a equipe mineira repõe a perda do mês passado, quando Poliana Okimoto, outra campeã mundial, acertou com a Unisanta.

O agitado mercado da natação (Felipe França foi para o Corinthians) mostra como não falta espaço para campeões no esporte olímpico brasileiro. Maurren Maggi e Yane Marques são exceções e não podem ser tratadas como regra. Da mesma forma, o atraso do salário de Arthur Zanetti, por parte de um dos seus diversos patrocinadores, não pode ser usado como muleta.

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Basta ver o discurso de Yane Marques à colega Nathalia Garcia, que está em Santiago: “Percebo que isso não é um problema só meu. Teve o caso do Arthur se queixando da questão do patrocínio e teve a Maurren também. Esse é um problema do Brasil”. Desculpe, Yane, não é.

No seu caso, o problema é o pentatlo moderno. Não há como explicar para o público geral uma modalidade que muda de regras todo ano. Em que cada atleta faz 20 partidas de esgrima (quem tem saco de assistir?). Que tem uma prova de natação que chegar em primeiro ou segundo não faz diferença? Depois, uma prova de saltos com nível técnico bem abaixo do padrão olímpico. Tudo isso para, depois, chegar numa corrida que, essa sim, decide o título. Quase um Passa ou Repassa (lembram?).

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 Se não tem transmissão na TV, não tem patrocinador. Se o público não conhece a modalidade, não vai te reconhecer. É uma pena, porque você é uma campeã. É uma medalhista olímpica. É uma grande atleta, merece todo o reconhecimento. Mas ele não virá da iniciativa privada. Virá do poder público, que tem feito sua parte. Você foi a primeira beneficiada pelo Bolsa Pódio (R$ 15 mil por mês), lembra?

Reforço: Yane é exceção. Mas não é a única. Tai a Maurren Maggi que não me deixa provar o contrário. Aos 37 anos, praticamente não ganhou nada desde os Jogos de Pequim, que aconteceram há seis anos. De 2008 para cá, os resultados dela foram piorando. No ano passado, foi só a quinta do ranking brasileiro. Não vai aos Jogos do Rio/2016. Por que uma empresa deve investir numa atleta sem resultados? Por dó? Só louco rasga dinheiro. Tem que investir na Jéssica Carolina, de 20 anos, que tem tudo para ser uma nova Maurren.

O caso do Arthur Zanetti é ainda mais bizarro. Ele tem diversos patrocínios pessoais (Caixa, Sadia, Adidas e Furnas), além de irrestrito apoio federal. A prefeitura de São Caetano decidiu cortar investimentos no esporte e isso o afetou. Problema municipal, da prefeitura. Não é um problema nacional. Não falta apoio a ele.

Agora pegue os principais atletas olímpicos brasileiros e veja quantos estão em condições ruins. Dos que foram a Sopot, Thiago Braz, Augusto Dutra, Keila Costa, Duda e Fabiana Murer estão na BM&F Bovespa. Franciela, no Pinheiros. Anderson Henriques, na Sogipa. O clube gaúcho ainda tem Felipe Kitadai e Mayra Aguiar. O Minas vem com Erika Miranda. O Pinheiros tem Rafael Silva e Felipe Lima. Sarah só está no Piauí por escolha pessoal. Da natação, Thiago Pereira e Ana Marcela vão, bem, obrigado, no Sesi. O pessoal da vela tem patrocínio de sobra (Robert Scheidt anunciou mais um esta semana). A ginástica tem o apoio da Sadia e da Caixa. A “equipe sem clube” de Diego Hypolito e Sergio Sasaki tem Furnas.

O esporte brasileiro tem um monte de problemas. Um monte. Mudar o foco para o que não é problema não ajuda em nada a saná-los.

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