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COB muda distribuição de recursos da Lei Piva e favorece ‘pequenos’

Demétrio Vecchioli

02 de dezembro de 2014 | 09h37

Uma boa notícia para as modalidades menores, que sofrem para se manter sem dinheiro de patrocinadores: o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) decidiu alterar a distribuição do dinheiro obtido através da Lei Agnelo/Piva, principal fonte de recurso das confederações olímpicas do País. Para o ano que vem, o COB manteve estável o valor oferecido às oito entidades mais estruturadas (como judô, atletismo e vôlei), mas aumentou em 12% os recursos das entidades com menos visibilidade e que, em sua maioria, não contam com patrocínios estatais.

A Lei Agnelo/Piva destina 2% do prêmio pago aos apostadores de todas as loterias federais do país ao COB (85%) e ao Comitê Paralímpico Brasileiro (15%). O COB explicou em comunicado que projeta as receitas de 2015 em R$ 202,3 milhões e que vai distribuir R$ 117,7 mi às 29 confederações olímpicas – só a de futebol fica de fora. Por lei, o comitê deve investir 10% no esporte escolar (R$ 20,23 mi) e 5% no esporte universitário (R$ 10,12 mi).

De acordo com o COB, no orçamento do ano que vem “houve ainda a preocupação de aproximar os valores mínimos e máximos recebidos pelas Confederações, de forma a equalizar cada vez mais essa distribuição”. Esta era uma reivindicação antiga das confederações mais “pobres”.

Se neste ano as confederações tidas como “ricas” tiveram um acréscimo de R$ 400 mil no montante recebido em 2013, para 2015 o valor se manteve estável. Atletismo, desportos aquáticos, judô, vela e vôlei seguem com R$ 3,9 milhões cada, enquanto basquete, ginástica, handebol e hipismo ganharão R$ 3,7 milhões. Todas essas modalidades têm patrocinadores estatais e visibilidade.

O aumento na distribuição começa na terceira faixa de valor. As confederações de boxe, canoagem, ciclismo e tênis de mesa, que receberam R$ 2,9 milhões em 2014 verão esse valor subir para R$ 3,248 milhões no ano que vem. Destas, só o tênis de mesa não tem patrocínio estatal. Na prática, boxe (Petrobras), canoagem (BNDES) e ciclismo (Caixa) poderiam também ficar com os repasses estáveis.

A partir daí começam as modalidades que trabalham com orçamentos menores e elas também terão um repasse 12% maior de recursos da Lei Agnelo/Piva. Em patamar intermediário estão triatlo (R$ 3,136 mi), tiro esportivo (R$ 2,912 mi), remo e tênis (R$ 2,8 mi), lutas (R$ 2,24 mi), pentatlo moderno (R$ 2,128 mi) e badminton (R$ 2,016). O tênis (Correios), o remo (Petrobras) e as lutas (Caixa) são, deste bolo, as que têm verba federal via patrocínio.

Em um último nível entre as modalidades de verão estão esgrima, golfe, hóquei sobre a grama, levantamento de peso, rúgbi, tae kwon do e tiro com arco. Estas receberam R$ 1,7 milhão este ano e terão R$ 1,904 milhão em 2015, também com aumento de 12%. As confederações de desportos na neve e no gelo terão R$ 1,792 milhão.

Ainda pelo que revelou o COB, o comitê vai destinar R$ 35,314 milhões para projetos que visem a preparação para os Jogos do Rio/2016. No ano passado, o COB considerou que valor semelhante (R$ 23,9 milhões) iriam para o Fundo Olímpico, “um fundo de reserva formado pelo COB com o objetivo de atender aos projetos especiais”, segundo explicou o comitê na época. O fundo não é citado no comunicado deste ano.

Por fim, o COB administrará diretamente R$ 54,3 milhões, que serão investidos em atividades operacionais, administrativas, projetos orientados especificamente para treinamento e preparação de atletas e equipes e no Instituto Olímpico Brasileiro. No ano passado, foram R$ 52 milhões.

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