As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

COI aprova mudanças e estimula provas mistas na Olimpíada

Demétrio Vecchioli

08 de dezembro de 2014 | 11h06

O Comitê Executivo do Comitê Olímpico Internacional (COI) aprovou na manhã desta segunda-feira, em Mônaco, as 13 primeiras das 40 recomendações para os Jogos Olímpicos que serão colocadas em análise hoje e amanhã na chamada “Agenda 2020”. Entre os itens que já passaram está a realização de eventos de uma edição olímpica em mais de um país e o fim do limite de 28 modalidades nos Jogos de Verão.

O teste da Agenda 2020, uma radical proposta para mudar o movimento olímpico, sugerida pelo presidente Thomas Bach, era a primeira recomendação. “Introduzir uma nova filosofia: o COI convida cidades candidatas potenciais para apresentar um projeto olímpico que melhor case suas necessidades a longo prazo do ponto de vista cultural, econômico, social e de sustentabilidade”, diz a chamada para o item.

Do ponto de vista esportivo, a grande mudança aparece na nona recomendação. Se antes o COI limitava a 28 modalidades os Jogos de Verão, agora os limites não falam mais em modalidades. São 10.500 credenciais de atletas, 5.000 de treinadores e staff esportivo em 310 eventos (310 cerimônias de pódio, com 310 ouros no quadro de medalhas). Nos Jogos de Inverno, são 2.900 atletas, 2.000 técnicos e 100 eventos.

Isso permitirá a inclusão de novas modalidades no programa sem que outras precisem sair – para quem não se lembra, a luta foi retirada do programa de 2020 e reincluída depois de uma disputa com beisebol e squash. Ganhou a luta, apesar de Tóquio ter sido escolhida sede desta edição olímpica. A partir de agora, porém, o país sede pode propor uma modalidade extra. No caso do Japão, o beisebol seria muito bem vindo.

A mais surpreendente recomendação aprovada até aqui, porém, é o estímulo às disputas mistas (homens e mulheres juntos). Atualmente, isso só acontece no hipismo (como rivais no individual) e na nova classe da vela de catamarã, a Nacra17, que tem um homem e uma mulher no barco. A Fina (Federação Internacional de Natação) tem ido nesse sentido com a criação dos revezamentos mistos na natação (que estrearam no Mundial de Doha) e das apresentações mistas no nado sincronizado e saltos ornamentais, aprovadas há menos de 10 dias.

Para o COI, as provas mistas são uma forma de incentivar a inclusão da mulher no esporte. Afinal, entre as propostas, a igualdade de gênero nas Olimpíadas – mesmo número de homens e mulheres. Mesmo nos Jogos do Rio/2016, ainda há um número expressivamente maior de vagas para homens, que têm mais categorias no boxe (10 a três), mais atletas no judô (32 a 24 por categoria), mais equipes no futebol (16 a oito), entre outros tantos privilégios.

OLIMPÍADA MAIS BARATA – A partir de uma nova regulamentação, será o COI que procurará cidades que se mostrem aptas a receber os Jogos – em outras palavras: vai conversar com os interessados e ouvir deles o que podem oferecer, ao invés de dizer quais as obrigações e esperar por adequações.

A entidade vai incentivar “o uso máximo de instalações já existentes e de equipamentos temporários e desmontáveis”. Também será permitida a realização de competições fora da cidade-sede e fora do país-sede, por razões de sustentabilidade, geografia (falta de mar) e sustentabilidade. No caso dos Jogos do Rio/2016, por exemplo, não há porque construir um canal para a canoagem slalom quando o Brasil já tem um ótimo funcionando em Foz do Iguaçu.

Além disso, essa primeira recomendação aprovada (por unanimidade, como as outras) também fala claramente em transparência, “O COI faz tornar público o contrato com a cidade-sede”, diz o texto, sem mais delongas. O contrato com o Rio, por exemplo, é ultra confidencial. Outros itens já votados e aprovados incluem maior importância para o legado social e ações para diminuir o custo de realização dos Jogos – uma resposta direta ao desinteresse dos europeus pelos Jogos de Inverno de 2022.

Tudo o que sabemos sobre:

direitos transmissão olimpíadaOlimpíada