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COI defende russos após detenção de ativista gay: ‘Aqui não é o lugar’

Demétrio Vecchioli

18 de fevereiro de 2014 | 12h08

Não é segredo para ninguém que o Comitê Olímpico Internacional (COI) é absolutamente medroso, até por conta de um histórico ruim – massacre de Munique, boicotes na Guerra Fria. Nesta terça-feira, o órgão deu só mais uma mostra desse pensamento reacionário e defendeu a atitude dos russos de retirar do Parque Olímpico de Sochi uma ativista transgênera italiana. (Não leu a história? Veja aqui)

“Eu sei que ela tinha o desejo declarado de se mostrar no local e acredito que depois de algumas horas, quando finalmente entrou no local de jogo, foi escoltada para fora de lá, pacificamente, não detida. O que aconteceu ontem (segunda) está um pouco nebuloso, mas eu entendo que ela estava no Parque, passando. Algumas pessoas eram favoráveis, algumas contra”, ponderou Mark Adams, porta-voz do COI, nesta terça-feira, em Sochi.

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Em seguida, ele foi mais longe: “Nós gostaríamos de pedir a todos que façam seus protestos em qualquer outro lugar. Gostem ou não, o Parque Olímpico não é lugar para isso”. Quando foi detida, Vladimir Luxuria (ele pede que se refiram a ele por pronomes femininos) estava transvestido, portava uma bandeira com as cores do arco-íris e uma placa com os dizeres. “It’s OK to be gay” (é ok ser gay).

Tradicionalmente o COI tem regras radicais contra protestos. Por ter que lidar com diferentes culturas, prefere não abrir exceções. Da mesma forma que é proibido se posicionar contra um governo ou a favor de uma causa separatista (proibição mais fácil de entendermos), por exemplo, dentro da estrutura olímpica é proibido também homenagear um atleta morto, por exemplo.

Você concorda com a detenção? Comenta ali na caixinha! Mas sem homofobia e ofensas, hein?

Como contei aqui outro dia, até adesivos colados em pranchas de snowboard em referência a uma competidora que faleceu num acidente de esqui foram vetados. Para quem não viu, está aqui.

No seu site oficial, nesta terça-feira, a ativista, liberada pouco depois de ser levada por pessoas não identificadas enquanto seguia para um jogo de hóquei, afirmou que: “Eu não desejo ser guiada pelo medo, e sim pela coragem. A coragem que sempre tive na minha vida. Se eu não vestisse as cores do arco-íris só porque alguém me tirou da mão uma bandeira significa que essa pessoa venceu”.

Gostou do texto (ainda que discorde da notícia)? Aproveita e visita o blog. Tem muita coisa legal ;)

 

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