COI proíbe homenagem a atleta morta, mas permite crítica a Putin
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COI proíbe homenagem a atleta morta, mas permite crítica a Putin

Demétrio Vecchioli

10 de fevereiro de 2014 | 19h20


Com Agências Internacionais / Foto de EFE/EPA/Sergei Ilnitsky

É de conhecimento geral que o Comitê Olímpico Internacional (COI) é chato no que diz respeito ao que um atleta pode e não pode fazer. Não pode mostrar mensagem religiosa nem política. Patrocinador que não dos Jogos Olímpicos? Não pode. Nada pode.

Agora não pode nem homenagear um atleta morto. Sarah Burke faleceu em janeiro de 2012 enquanto treinava para sua prova, o esqui halfpipe. Ela foi campeã mundial em 2005 e ganhou quatro vezes a prova nos X-Games. Fazia parte dos planos do Canadá para Sochi. Morreu em Park City, mesmo parque de esqui em Salt Lake City onde Lais Souza sofreu grave acidente há alguns dias.

Na sexta-feira, a snowboarder Torah Bright, da Austrália, havia afirmado que o COI pediu para que ela retirasse da sua prancha um adesivo que fazia referência a Burke, que era sua amiga. “O COI, porém, considerou o adesivo uma declaração política e o baniu”, postou ela no Instagram.

Nesta segunda, o porta-voz do COI, Mark Adams, confirmou a informação. Disse que os atletas devem procurar um “lugar melhor” para homenageá-la. E não foi só isso. A Noruega também foi repreendida, de forma oficial, porque uma atleta competiu sábado com uma tarja preta no braço como homenagem à mãe de uma colega de equipe.

Mas o COI nada fez para impedir que o russo Alexey Sobolev competisse, também no snowboard, com uma prancha que fazia clara e óbvia referência ao grupo Pussy Riot, grupo feminino russo que critica duramente o governo Putin e tem sido perseguido no país.

Não menos importante: também não impediu que Sobolev escrevesse seu número de celular no capacete em busca de uma namorada. Quem se interessar, o número é: +79250222285. Boa sorte!

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