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Com técnicos cubanos da luta, Esporte também tem o seu ‘Mais Médicos’

Demétrio Vecchioli

28 de abril de 2015 | 18h30

Convênio firmado pelo Ministério do Esporte com a Confederação Brasileira de Lutas Associadas (CBLA), firmado na última semana da gestão de Aldo Rebelo (PCdoB) à frente da pasta, prevê a destinação de R$ 1,85 milhão para a contratação de 10 técnicos, por um ano, com a única condição de que sejam cubanos.

No plano de trabalho do convênio, que lembra o programa Mais Médicos do Ministério da Saúde, a CBLA informa que contrataria técnicos cubanos com formação superior, experiência mínima de cinco anos e “comprovação de trabalho como tutor/professor” de luta. Em nenhum momento, o documento disponível no site do governo explica a restrição a cubanos nem como determinou o salário de R$ 6.047,28. Em outros convênios fechados naquela mesma semana, as confederações apresentaram orçamentos assinados pelos treinadores estrangeiros, incluindo os seus currículos, o que não aconteceu neste caso.

O ministério usa tabela normativa do Comitê Olímpico do Brasil (COB) para estipular salários pagos com verba pública. Para que um técnico se encaixe na faixa de R$ 5 mil a R$ 8 mil, deve ter sido treinador de equipe olímpica ou medalhista em Mundial. Vale também treinador de medalhista de ‘Jogos Continentais’ (no caso, do Pan) realizados a partir de 2007. Apesar do prometido currículo de peso, a maioria dos cubanos trabalhará em Estados que não têm atletas na seleção.

Os nomes dos treinadores escolhidos ainda não foram divulgados, mas a CBLA garantiu que terá “treinadores que foram medalhistas olímpicos e mundiais” e argumentou que, quando formulou o plano de trabalho, não sabia quais profissionais cubanos estariam disponíveis. O projeto previa o início dos treinos no terceiro mês após a assinatura do convênio – em março, portanto.

Nas soma das últimas duas edições dos Jogos Olímpicos, Cuba ganhou apenas três medalhas na luta. Como comparação, a Rússia ganhou 23, o Japão, 12, e a Geórgia, 10. A entidade argumentou que o custo de trazer treinadores de países de mais tradição no esporte é mais alto, embora isso não esteja demonstrado nos documentos oficiais.

Já o Ministério do Esporte, questionado pela reportagem, respondeu apenas que “celebrou convênio com a CBLA para o desenvolvimento da luta olímpica no Brasil” e “que não interferiu na escolha dos técnicos pela entidade esportiva”. A pasta não respondeu também se houve interferência do governo para a contratação de técnicos cubanos. Já a CBLA negou: “Sempre trabalhamos com treinadores cubanos, como a maioria dos países da América Latina”.

FEPALO – As suspeitas acerca do convênio envolvem também a entidade responsável por sua fiscalização, a Federação Paulista de Luta Olímpica (FEPALO), que está proibida de receber recursos públicos após ter rejeitada a prestação de contas de um convênio firmado com o governo do Estado de São Paulo em 2007. A federação foi obrigada a devolver R$ 190 mil em decisão que ainda cabe recurso.

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