Companheiro de Phelps, Gabriel mira Olimpíada e já sonha ser técnico
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Companheiro de Phelps, Gabriel mira Olimpíada e já sonha ser técnico

Demétrio Vecchioli

21 de janeiro de 2014 | 10h32

Você leu aqui no blog, na segunda-feira (ontem), a primeira parte da entrevista com o nadador Gabriel Fidelis, parceiro de equipe de Michael Phelps e outras grandes estrelas da natação em Baltimore, nos Estados Unidos. (Não leu? Leia agora!)

Como prometido, segue agora a segunda parte da conversa, em que o atleta mineiro fala sobre suas expectativas para o Rio/2016.

Você fica em Baltimore até quando?

A princípio, quando vim, sempre quis ficar até 2016. Porque na natação a gente trabalha muito com projetos a longo prazo. Para você mudar de equipe, até você se acostumar com novo método, musculação, vai um tempo. Vim para ficar até a Olimpíada.

Você é remunerado pela equipe? Quem te banca?

Eles não pagam salários aqui nos Estados Unidos. A única forma de remuneração é patrocinador. Aqui eu pago mensalidade do clube e a despesa com treinador. Nessa questão continuo sendo atleta do Praia Clube (de Uberlândia), tanto é que eu tenho que ir de três a quatro vezes por ano para o Brasil para competir. Quem está bancado é o Praia.

Agora que você está treinando nos Estados Unidos, num nível melhor, já surgiram propostas de outros clubes?

Eu já recebi propostas anteriormente. Agora nenhum clube me procurou, mas todo mundo sabe o que o Praia está fazendo comigo. Eles têm um projeto olímpico de botar pelo menos um atleta na Olimpíada e estão investindo em mim. Mas este ano eu vou ter o Bolsa Atleta. Eu já tive resultado pra receber durante muitos anos, essa bolsa nunca chegou em Uberlândia.

Você nada os 200m peito, né? Qual seu melhor tempo e qual sua meta para conseguir estar em 2016? Quem é seu grande concorrente?

É o Thales (Cerdeira). Hoje meu melhor tempo é 2min13s42. Para estar no Rio precisa cair para 2s10 alto ou 2s11 baixo. No Maria Lenk, em maio, já quero estar nadando para 2s11. A gente vai para altitude agora em fevereiro. Vou tentar ir para o Pan-Pacífico (em agosto, na Austrália).

Os treinamentos já estão dando resultado?

Vai tempo até adaptar. (De julho) até dezembro eu treinei para dar conta de suportar a carga de treinamento aqui. Não treinei visando melhora de tempo na minha prova. Era pra suportar os treinamentos. Agora que virou o ano, que eu já adaptei aos treinamentos. Agora que viso a prova.

Os treinamentos são muito mais puxados?

Nado em torno de 14km todo dia. Em Uberlândia não passava de 10km, mas por uma fase mais curta. Fico na piscina quatro horas por dia: duas por período, mais em torno de uma hora de musculação.

E como foi para se adaptar?

No começo estava complicado. Quando não dei conta mais, pedi pra sair, passei mal. Mas é isso que eles gostam: trabalho duro, jogar limpo. Vencer pelo esforço. Eles têm visto minha melhora, têm visto meu esforço. Muita coisa vai acontecer. Mesmo se não rolar 2016, se eu quiser trabalhar com natação, ser técnico, quem não vai querer um cara que treinou com o Bob e com o Phelps?

Você pensa então em voltar para o Brasil e ser treinador?

Hoje eu penso em continuar nos Estados Unidos. Aqui eu não teria que estudar educação física. Aqui posso ser treinador sem ter que fazer quatro anos de educação física, igual no Brasil. (Nota do blogueiro: Gabriel estudava design gráfico em Uberlândia quando deixou o País).

Como é trabalhar com o Bob?

O Bob sabe manter um espírito da equipe. Ninguém fala de outro cara da equipe. Não tem fofoca. Ele sabe conduzir o time. Aqui não tem disso não. Aqui é treino e treino. Tem o mural da fama aqui no clube. São 13 que já foram para Olimpíada. Têm muita tradição.

E quem é o próximo cara “bão, bão” que vai sair de Baltimore?

Têm um moleque lá que está na Universidade da Geórgia que é um Phelps dois. É de Baltimore, treinou a vida inteira aqui. No primeiro ano de universidade ficou em segundo 400m medley em Barcelona. Pode escrever o nome dele: Chase Kalisz. Ele com certeza vai ganhar os 400 medley no Rio.

Tudo o que sabemos sobre:

Gabriel FidelisMichael PhelpsNatação

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: