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Confederação nega culpa por Liga de Nacional de Handebol com apenas 6 equipes

Demétrio Vecchioli

29 Agosto 2015 | 17h02

Única competição profissional de clubes no país campeão do mundo no handebol feminino, a Liga Nacional começa neste sábado com a participação de apenas seis times. Há dois anos, na temporada anterior ao título conquistado pela equipe de Alexandra, Duda e companhia, a competição tinha 11 equipes. Responsável pela organização do torneio e pela gestão da modalidade no País, a Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) diz não ter culpa nesse cenário.

“Estou triste pra caramba porque realmente houve uma redução considerável no número de equipes. Não temos governabilidade nos clubes e a gente tem a informação que essas equipes são vinculadas à prefeitura. É sabido e notório que as prefeituras estão com dificuldades neste momento, então não se conseguiu o apoio necessário”, argumentou o presidente da CBHb, Manoel Luiz de Oliveira.

Após a conquista do título mundial, em 2013, comemorou-se a possibilidade de o handebol se popularizar no País. O argumento segue valendo até hoje: resultado dá visibilidade, o que atrai patrocinador. “O apoio ele vem por resultados, espaço na mídia. Quanto mais resultados você tem, mais aparece e mais consegue patrocinadores”, admitiu o dirigente, que não vê contradição com a realidade. “O contraditório é a fase que o país está vivendo. É muito triste, mas não temos como solucionar”.

Dos seis times inscritos, nenhum tem patrocínio master. O UNC, de Concórdia (SC), e a tradicional Metodista, de São Bernardo do Campo (SP), são tradicionais times ligados às respectivas universidades. O time da Força Aérea Brasileira (FAB) vai jogar com a camisa do Vasco, enquanto que o Pinheiros é mantido pela diretoria do clube paulistano e o São José dos Campos (SP) e o Caxias do Sul (RS) são ligados às respectivas prefeituras. A visibilidade também não ajuda: só as duas partidas semifinais e a decisão, em jogo único, terão transmissão pelo SporTV.

Com seis clubes com um elenco de 16 atletas (em média), são apenas 96 jogadoras profissionais atuando no Brasil. A conta repercutiu nas redes sociais e o próprio presidente da CBHb, em entrevista à Agência Estado, citou esse número para negá-lo. Questionado sobre o total de equipes profissionais no País, entretanto, ele não soube responder.

“Temos equipes que estão aptas a jogar, que recebem apoio para competir no handebol. Equipes do Ceará, de Pernambuco, do Espírito Santo, em Santa Catarina, que têm apoio e ajuda. Existia 17 clubes que queriam jogar a Liga. O Santo André é profissional. O Blumenau é profissional”, argumentou Oliveira.

Seis vezes finalista da Liga, o Blumenau (SC), que revelou a central Duda, melhor do mundo na temporada passada, não conseguiu patrocinador para jogar a competição. Recentemente, o clube postou mensagem no Facebook procurando cidades interessadas para “contratar” o time para jogar os Jogos Abertos do Estado de São Paulo.

Enquanto os clubes definham, a CBHb, com recursos próprios, das prefeituras de Uberaba (MG) e Uberlândia (MG) e do Governo de Minas Gerais, organizou o Mundial Masculino Júnior ao mesmo tempo em que os Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá, dominavam as atenções da imprensa esportiva. Um investimento na casa de R$ 6 milhões. “Você não teria esse dinheiro para essa finalidade (a Liga). A realização de grandes eventos sensibiliza. Se não tivéssemos dinheiro para isso, não iria para clubes jogarem a Liga Nacional”, assegurou Oliveira.

O dirigente garante que, após a Olimpíada, tudo será resolvido. “Hoje, em agosto de 2015, posso garantir que na próxima Liga vamos ter muito mais equipes no feminino. No mínimo 12, com certeza absoluta. O projeto que temos já está feito, apenas falta operacionalizar”.

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