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Defesa da CBDA a nadador é incentivo ao 16º caso de doping

Demétrio Vecchioli

20 de janeiro de 2015 | 13h06

Quando uma modalidade tem 15 atletas (sendo 14 de nível de seleção brasileira) pegos em exames antidoping em apenas cinco anos, a confederação responsável deveria mostrar-se preocupada e interessada em fazer de tudo para coibir a prática. Ganchos cada vez mais duros deveriam ser exigidos. A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), porém, não pensa assim. Pelo contrário: quer livrar João Gomes Júnior de punição após ele ser flagrado em exame feito no Mundial de Doha (Catar), em dezembro.

Nesta terça-feira, Coaracy Nunes, o eterno presidente da CBDA, deixou claro que a entidade não está interessada nas investigações do caso, para que o atleta seja punido em caso de doping. O interesse é pela absolvição:  “A CBDA vai fazer todo o esforço para livrar o atleta da suspensão, não tenha dúvida”, disse o dirigente, ao SporTV.

João Gomes Júnior é conhecido como um atleta sério, não parece um “trapaceiro” (termo muito associado a quem se dopa). Mas isso não faz dele um inocente. Ele testou positivo para diurético (normalmente usado para encobrir substâncias ilícitas) e agora terá que provar que o fez com a melhor das boas intenções.

A postura de Coaracy só reforça o apoio ao doping. Afinal, ao SporTV, ele deixou claro que quer evitar a punição a João Gomes Júnior para que o Brasil não perca as três medalhas de ouro obtidas nos revezamentos 4x50m do Mundial de Piscina Curta de Doha, quando o peitista capixaba nadou as eliminatórias.

Na cabeça do dirigente, ao que parece, vale tudo para obter medalha em provas absolutamente irrelevantes de um Mundial cuja a importância é muito contestada – imagine em uma Olimpíada! É exatamente este tipo de pensamento que leva o atleta a se dopar. Talvez não seja coincidência que a natação dirigida por Coaracy seja a líder em casos de doping no mundo. Não custa lembrar: 15 em cinco anos. Se depender do afago de Coaracy, o 16º caso não tardará.

PS: Está no blog do Coach Alex Pussieldi, no Globo Esporte, responsável pelo “furo”, que João Gomes alega uma contaminação cruzada em farmácia de manipulação. Ele teria comprado lá um produto qualquer indicado por um amigo. Pois saiba o leitor que o Governo Federal dá R$ 5 mil, todo mês, para que João Gomes pague um nutricionista só para ele. Aí ele (supostamente) consome o suplemento indicado pelo amigo. 

 

 

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