Diego Costa ao contrário: Felipe Perrone avisa Espanha que defenderá o Brasil
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Diego Costa ao contrário: Felipe Perrone avisa Espanha que defenderá o Brasil

Demétrio Vecchioli

18 de janeiro de 2014 | 06h00

Três meses depois de ouvirem que Diego Costa abria mão da seleção brasileira para defendê-los, os espanhóis estão prestes a levar o contragolpe. Se ganharam um artilheiro, perderão outro. Mas a vingança brasileira não vem nos gramados e sim na piscina. Felipe Perrone, capitão da Espanha no polo aquático, vai depender o Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio/2016.

Considerado um dos melhores jogadores do mundo na atualidade, Perrone, de 27 anos, viaja neste sábado para a Espanha, com um contrato de quatro meses para jogar pelo Barceloneta, atual octacampeão nacional. Ele vai aproveitar a estada na Europa para se encontrar com os presidentes da Real Federação Espanhola de Natação e do Comitê Olímpico Espanhol para anunciar a decisão tomada na última quinta-feira.

Após uma longa reunião na sede da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Felipe Perrone, o croata Josip Vrlic e o sérvio Slobodan Soro aceitaram a proposta feita pelo presidente Coaracy Nunes. Se a cobrança era por uma equipe competitiva, que realmente fizesse diferença no desenvolvimento no polo no Brasil, a contratação do técnico croata Ratko Rudic, quatro vezes campeão olímpico e considerado o melhor treinador do mundo, serviu como forte argumento.

Felipe nasceu no Rio, chegou a jogar pela seleção brasileira até 2004, mas não via possibilidade de viver de polo. Por isso, aceitou o convite para defender a Espanha, país da avó, assim como já havia feito seu irmão Kiko. Artilheiro da seleção espanhola em Pequim e em Londres, é o capitão da equipe. Desde meados do ano passado, porém, defende o BNY Mellon/Fluminense. Segundo ele, quer fechar uma porta para só depois abrir outra. Assim, só oficializará a volta à seleção brasileira no Troféu Brasil, em março.

A presença dos dois estrangeiros na Olimpíada, porém, ainda não é certa. Além de superar o processo de naturalização (o ministério do Esporte e o COB prometem ajudar), Vrlic, que tem contrato com Flu, ainda precisa resolver problemas burocráticos, enquanto Soro depende de encontrar um clube – o time carioca não tem interesse em um goleiro e o Sesi não contrata estrangeiros.

Procurado pela reportagem, Coaracy não quis dar entrevistas. Mas a assessoria da CBDA informou que os três estão 95% certos (só falta assinar). Ricardo Cabral, coordenador de polo na entidade, disse que não participou da reunião e não quer se envolver no assunto. “Isso é só com a presidência”, disse.

LEGIÃO ESTRANGEIRA – Com os três, a seleção brasileira já chega a cinco estrangeiros. Adrià Delgado, nascido na Espanha, mas filho de um brasileiro, não teve dificuldades em tirar o passaporte e defende a seleção há mais de um ano. O cubano Ivez Gonzalez, medalhista de prata no Pan de 1999, é casado com uma brasileira, conseguiu a naturalização, e participou dos dois amistosos que a seleção fez nos últimos dias contra a Holanda, no Rio – o terceiro e último é neste sábado.

Com Vrlic, a seleção ganha um pivô forte, ágil, que está acima do nível dos jogadores nacionais. Já a contratação de Soro foge à regra das naturalizações que deverão acontecer até 2016. Isso porque ele não é um atleta que não teria espaço na sua seleção. Pelo contrário. Ele foi goleiro titular da Sérvia na conquista das medalhas de bronze nas duas últimas Olimpíadas. A torcida já pode ensaiar: “P… que pariu… É o melhor, goleiro do Brasil: Slobodan!”.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: