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Dirigente sugere premiação em dinheiro na Olimpíada

Demétrio Vecchioli

21 de maio de 2015 | 18h29

Depois de afirmar que o Comitê Olímpico Internacional (COI) era “ultrapassado, errado e injusto”, o presidente da SportAccord, Marius Vizer, descobriu que existem algumas coisas sagradas no mundo e o COI é uma delas. Em um mês, 18 federações internacionais de modalidades, entre elas a FIVB (vôlei), a FIE (hipismo) e a AIBA (boxe) anunciaram desfiliação.

De segundo homem mais importante do esporte olímpico, Vizer foi jogado a escanteio. Passou um mês tentando entender como poderia voltar ao jogo. Precisava mostrar uma postura mais sóbria do que a apresentada na abertura do congresso da SportAccord (quando sugeriu a crianção de um evento concorrente dos Jogos Olímpicos), mas mantendo-se como oposição ao COI.

Na terça, deu o primeiro passo. Convidou o presidente do COI, Thomas Bach, para uma reunião. Até onde se sabe, o dirigente máximo do esporte olímpico ainda não aceitou o convite. Nesta quinta, Vizer, que comanda a Federação Internacional de Judô (IJF) detalhou o que quer. Publicou uma lista com 20 itens que cobra que estejam numa eventual reforma do COI.

Relacionou até uma medida que feriria o princípio básico do movimento olímpico. Quer que os atletas recebam premiação em dinheiros pelos resultados obtidos nos Jogos Olímpicos. Ele também cobra a inclusão dos governos nacionais no esporte olímpico, ainda que outro princípio universal seja: política e esporte olímpico não se misturam.

Entre os pontos abordados ainda estão mudanças que interessam exclusivamente a dirigentes ligados à SportAccord, como o aumento do repasse de verba do COI às federações internacionais. Em síntese, medidas populistas para tentar frear a debandada da sua entidade.

A lista de Vizer, entretanto, mostra o tamanho do filão de negócio que ele perdeu ao se colocar contra o COI. O dirigente cobra, por exemplo, que os esportes não-olímpicos possam se apresentar antes ou depois dos Jogos Olímpicos, nas cidades-sedes destes, e que entrem nos programas de desenvolvimento propostos pelo COI.

Ou seja: Vizer joga, para o COI, a responsabilidade que deveria ser da SportAccord, que é dar espaço para os não-olímpicos. Tudo ia bem com os Jogos Mundiais e como a proposta de competições setorizadas como os Jogos Mundiais de Combate, ou de Praia. Agora que a SportAccord caminha para um fim melancólico, o que Vizer faz é pedir que alguém cumpra a função que ele tinha tudo para executar, não tivesse dado um tiro no próprio pé.

 

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