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Em 4 dias, 4 ídolos olímpicos pedem desligamento da gestão pública do esporte

Demétrio Vecchioli

05 de abril de 2015 | 08h00

Não são apenas as medalhas olímpicas e o posto de ídolos do esporte que unem Lars e Torben Grael, Rogério Sampaio e Paulão (do vôlei). Os quatro tomaram decisões semelhantes ao longo da última semana ao pedirem desligamento de funções na gestão pública do esporte. Rogério Sampaio deixou a secretaria municipal de Esportes de São Paulo, Paulão pediu demissão da diretoria de Esportes da secretaria correspondente no Rio Grande do Sul, enquanto Lars e Torben Grael decidiram que o Instituto Remo Náutico, da família, voltaria atrás da decisão de firmar convênio de R$ 20 milhões com o governo do Estado do Rio.

Os três fatos, apesar de terem serem consequências de decisões isoladas, sem qualquer relação entre si, explicitam quão deficiente é a gestão pública do esporte no País. Coincidentemente, elas vieram na mesma semana em que o ministro do Esporte, George Hilton (PRB), escolheu um ex-presidente da TV Record, dirigente partidário sem qualquer vínculo com o esporte, para ser o novo secretário de Alto Rendimento e comandar a preparação olímpica do País para 2016 e 2020.

Paulão e Rogério Sampaio, ambos medalhistas de ouro nos Jogos Olímpicos de Barcelona-1992, eram, ao lado da ex-jogadora de vôlei Leila, secretária de Esportes do Distrito Federal, os ex-atletas olímpicos com cargos mais importantes na gestão do esporte no poder público. Os dois pediram demissão.

O ex-judoca era coordenador de Alto Rendimento da secretaria municipal de Esporte (SEME), apesar de a prefeitura paulista pouco investir no alto rendimento. Ele deixou o cargo menos de um mês depois de o Estadão e este blogueiro revelarem um suposto esquema que beneficiava, com convênios, entidades ligados ao PTB (que controla a pasta) e ao vereador Aurélio Miguel, também ex-judoca.

Rogério Sampaio era membro da Comissão de Análise de Parcerias (CAP), órgão que, na prática, apenas serve para validar os convênios que chegam para avaliação já aprovados pela chefia da SEME. Depois da denúncia do Estadão, a prefeitura paralisou a assinatura de novos convênios até que uma auditoria interna seja concluída e novas normas definidas. O ex-judoca relacionou sua saída à distância entre Santos, onde mora, e a SEME, que fica no centro de São Paulo.

Já Paulão era, desde o começo do ano, o homem forte do esporte gaúcho. A gestão de Ivo Sartori (PMDB), entretanto, suspendeu o principal programa esportivo do Estado, o Pró-Esporte, a Lei de Incentivo ao Esporte local. Ex-gerente do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo em Porto Alegre, Paulão pediu demissão reclamando da postura do secretário a qual era subordinado, Juvir Costella, afirmando que este é autoritário e desrespeitoso.

Acima de Paulão, que desde que se se aposentou das quadras vem se dedicando à gestão do esporte, estava  Gabriela Markus. A secretária-adjunta é também ex-miss Brasil e chegou ao cargo depois de ser candidata a deputada estadual pelo PMDB, apoiando a eleição de Sartorio. A imprensa gaúcha chegou a publicar relato de uma “brincadeira” de Costella, que teria pedido a uma secretária que reservasse um quarto de casal para ele e sua adjunta numa viagem ao interior.

GRAEL – Os irmãos Grael não chegaram exatamente a pedir demissão, mas rejeitaram que a ONG da família, que mantém projeto social ligado à vela, firmasse um convênio com o governo do Rio para a limpeza de resíduos sólidos da Baía de Guanabara, visando os Jogos Olímpicos do Rio-2016. O convênio foi divulgado na semana retrasada pelo governo, gerando críticas pelo modelo de contratação, sem licitação.

Lars Grael rapidamente se posicionou, convocou a diretoria do Instituto Remo Náutico (basicamente seus irmãos) e na segunda-feira passada a ONG anunciou que recusaria o convênio, por não concordar com o modelo de contratação e por acreditar que a despoluição da Guanabara é uma responsabilidade do governo e não pode recair sobre uma instituição do terceiro setor. A poluição da raia olímpica é um problema que, por enquanto, segue sem solução.

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