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Em meio ao Pan, atletas pagam do bolso para ir ao Mundial de Esgrima

Demétrio Vecchioli

13 de julho de 2015 | 11h19

Com as atenções todas voltadas para os Jogos Pan-Americanos, passa quase desapercebido o fato de que nesta segunda-feira começou, em Moscou, o Campeonato Mundial de Esgrima. O Brasil será representado por 18 atletas, mesmo número de brasileiros que estará em Toronto, no Canadá, na semana que vem, ainda que a delegação tenha algumas diferenças na sua composição.

Esses 18 esgrimistas precisaram pagar por conta própria a viagem até Moscou, bem como todos os custos relacionados à competição – inscrição, hospedagem, alimentação. Afinal, a Confederação Brasileira de Esgrima (CBE) definiu que o Mundial não seria uma competição relevante para ajudar os brasileiros a se classificar para os Jogos Olímpicos do Rio.

Como o cobertor é curto, prefere que os recursos sejam destinados ao pagamento para que esses mesmos esgrimistas estejam em competições de nível técnico mais baixo, onde os brasileiros têm condições de obter mais pontos para o ranking mundial, o que faz sentido. O Mundial, porém, é o principal evento do calendário. Ao descartar a competição, o Brasil atesta que não acreditar qualquer chance de um bom e surpreendente resultado.

Tentei falar com alguns atletas sobre o caso, mas eles temem por represálias da confederação. É importante frisar, entretanto, que os atletas da seleção de esgrima não são coitadinhos. Pagam do bolso o Mundial, é verdade, mas quase todos eles recebem uma boa bolsa mensal paga pela Petrobras. Ganham Bolsa Atleta e são, muitos deles, das Forças Armadas. Têm de onde tirar os recursos para competir.

Por enquanto, o Brasil vai mal no Mundial. Marta Baeza passou apenas como 77.ª no sabre feminino, enquanto Giulia Gasparin foi a 100.ª e já está eliminada. Entre os homens, só Renzo Agresta avançou, no 52.º lugar.

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