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Em nova fase, Lili varia dupla, mantém regularidade, e se credencia a 2016

Demétrio Vecchioli

26 de setembro de 2013 | 13h57

Lili 3

Parte da imprensa se debruça sobre a relação entre Larissa e Lili, especulando inclusive que Larissa esteja grávida, mas as duas não falam sobre o assunto. Casadas de papel passado há poucos meses, as duas jogadoras de vôlei de praia não querem polêmica. O momento delas, e principalmente de Lili, é outro.

Enquanto Larissa é uma (ex?)-jogadora consagrada, que encerrou no fim do ano passado a sua parceria com Juliana, das mais vitoriosas da história do vôlei de praia, Lili está vivendo a melhor fase da sua carreira. Aos 25 anos, lidera com Rebecca o ranking brasileiro. Com Bárbara Seixas, é a quarta colocada do ranking mundial. E ela quer aproveitar esse momento da melhor forma possível.

Bloqueadora, concorre diretamente com Juliana e Talita, hoje talvez as duas mais reconhecidas jogadoras do vôlei de praia brasileiro, por até duas vagas nos Jogos Olímpicos do Rio (isso se Maria Clara/Carol não for escolhida, uma vez que acho difícil que elas se separarem).

Pelo novo sistema da modalidade, com seleções, o técnico da CBV é quem define a montagem dos times. Assim, Lili pode jogar a Olimpíada com Rebecca, Bárbara Seixas ou até mesmo Taiana ou Maria Elisa, que têm sido suas adversárias. Se Larissa voltar a tempo, por que não uma dupla/casal?

Confuso? Bastante, até porque o atleta ainda tem que lidar com o fato de que o seu parceiro de hoje é o adversário de amanhã. E o adversário de hoje pode ser o parceiro de amanhã. “Eu tenho que separar bem as coisas porque uma hora a Bárbara é minha parceira e outra rival. Quando estou na seleção faço tudo para ser campeã com ela. Quando estou no brasileiro preciso ganhar dela. Tudo é muito complicado porque é novo”, admite Lili.

Disputar com chances reais uma vaga nos Jogos Olímpicos é fato novo na carreira de Lili. A evolução na carreira da bloqueadora de 1,84m é gradual, mas viveu um salto depois da parceria com Rebecca. Lili veio da quadra e se adaptou às areais graças a um projeto da CBV. Vista como atleta de futuro, foi unida a Bárbara Seixas para ganhar o Mundial Júnior de 2007.

Jogou com Luana e Ângela, mas com nenhuma delas, porém, conseguiu chegar ao pódio no Circuito Mundial. Principalmente com Ângela, furava o country cota com regularidade, chegava como cabeça de chave às etapas do Circuito BB, mas faltava aquele algo a mais.

A maior conquista foi o evento-teste dos Jogos de Londres, em 2011, competição que não contou com muitas duplas que estiveram na Olimpíada, mas com duas das que viriam a ser semifinalistas em 2012. Era a prova de que Lili tinha condições de sonhar com voos mais altos.

O cenário mudou quando Carol se retirou para ser mãe. Maria Clara fez testes e convidou Lili para jogar com ela. Juntas, terminaram em quinto duas etapas do Circuito.

Mas a reviravolta aconteceu mesmo quando Lili se uniu a Rebecca. Se na temporada 2011 Lili fez quatro semifinais no Circuito Brasileiro, em 2012/2013 foram sete.

Vice-campeã do Circuito BB, Lili/Rebecca foi escolhida para jogar o Circuito Sul-Americano. Mas os dois títulos em duas etapas mudaram o status da dupla. Lili foi unida a Bárbara Seixas na seleção, enquanto Rebecca deveria jogar os Mundiais de base. Por algum motivo, que até agora não descobri, a garota foi cortada.

Lili/Bárbara, porém, conseguiu mostrar regularidade. Elas avançaram às oitavas de todas as 10 etapas do Circuito Mundial que disputaram. Conquistaram bronze no Mundial de em Roma e prata em Gstaaad.

De volta ao Circuito Brasileiro, Lili voltou a jogar com Rebecca. Foi vice em Recife e campeã em Vitória, assumindo a liderança do ranking.  Isso mesmo com o entrosamento longe do ideal.

“Talita e Taiana jogam juntas há mais tempo. Maria Claro e Carol jogam juntas desde cedo. Com certeza elas têm a vantagem do entrosamento”, aponta Lili, que admite dificuldades, mas prefere não criticar o novo sistema. “Não é fácil ficar trocando, não. O ano tem sido vem cansativo fisicamente e mentalmente. Mas esse é o novo sistema. Temos que nos adaptar…”, destaca.

Ninguém sabe o que será do futuro. Rebecca volta à seleção? Vai ficar mesmo ao lado de Lili? A CBV vai manter Ágatha/Maria Elisa, dupla que não está rendendo o mesmo que as outras? Se desfizer essa parceria, como rearranjará as parcerias? Larissa volta? Quando? Dúvidas da imprensa, do público, mas também das atletas.

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