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Erika se arrepia, grita e faz festa ao ver primeiro ouro do judô feminino

Demétrio Vecchioli

28 de agosto de 2013 | 19h00

Vinte e quatro horas depois de faturar a medalha de prata no Mundial de Judô, Érika Miranda estava de volta ao Maracanãzinho nesta quarta-feira. A lado da mãe e da companheira de clube Mariana Silva, torcia quase como uma anônima para que a primeira medalha de ouro do judô feminino do Brasil na história da competição fosse colocada no peito de Rafaela Silva. E a torcida da judoca pela colega de seleção deu certo.

As milhares de crianças e adolescentes que na terça-feira tanto vibraram com a conquista de Érika, desta vez sequer tiveram acesso a ela. Com a área central reservada do ginásio para que esses jovens expusessem as marcas dos patrocinadores da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), a brasileira vice-campeã mundial assistiu às finais desta quarta num local pouco privilegiado das arquibancadas do Maracanãzinho.

Érika chegou ao Maracanãzinho mais leve, flutuando na glória de ser vice-campeã mundial. Na balança, também não estava tão mais pesada. A noite de comemoração não durou muito. No domingo, tem a disputa por equipes, na qual ela vai lutar, e não pode abusar. A pesagem será no sábado à noite – a brasileira tem que bater o peso de 52kg, que corresponde à sua categoria (ainda precisa perder cerca de 2kg até lá).

Quando começou a final de Rafaela Silva nesta quarta-feira, diante da norte-americana Marti Malloy na categoria até 57kg, Érika já tinha liberado um pouco de emoções. Não tanto pela derrota da brasileira naturalizada israelense Camila Minakawa, um pouco antes, na repescagem. Mas principalmente por acompanhar a brigada luta que deu o bronze a Vlora Bedeti, da Eslovênia, diante da japonesa Anzu Yamamoto.

Quando Rafaela entrou no tatame, Érika sorriu. Ela já tem o sorriso fácil, que fica ainda mais natural depois de uma conquista como a de terça-feira. Mal dá tempo de a vice-campeã mundial ficar muito nervosa. Logo Rafaela acerta o primeiro golpe e Érika coloca as mãos sobre boca, como que segurando o grito. Mantém essa posição por alguns segundos, até que decide bater palmas. Por baixo do que a mão encobria, um sorriso de orelha a orelha.

Ao perceber que o árbitro deu o ippon para a brasileira, Érika aplaude e logo volta a pôr as mãos na boca. Ao seu lado, Mariana Silva, que defenderá a seleção na disputa por equipes no domingo, aperta o nariz com os dedos. Quer esconder que está chorando.

“Olha, estou toda arrepiada”, disse Érika para a amiga, que não segura mais as lágrimas. O ginásio vibra, as crianças e adolescentes fazem barulho ensurdecedor, enquanto Érika não para de sorrir. Não foi com ela, mas o Brasil agora tem uma campeã mundial de judô.

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