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Erro no bastão mostra falhas, mas não pode ser vilão do Mundial

Demétrio Vecchioli

19 de agosto de 2013 | 11h48

bastão

O erro no sincronismo na passagem do bastão das mãos de Franciela Krasucki para as de Vanda Gomes não pode ser o vilão da participação brasileira no Mundial de Atletismo de Moscou, encerrado neste domingo. Se havia tamanha expectativa para que a única medalha do Brasil no Mundial viesse na penúltima prova disputada no Estádio Olímpico é porque o buraco é bem mais embaixo.

Como o bastão caiu e o Brasil foi desclassificado do revezamento 4x100m livre, não pontuou na prova. Tivesse chegado em último, ganharia um ponto e terminaria o Mundial isolado na 19ª colocação do placing table, um ranking que valoriza os resultados da equipe de forma geral. Acho (e sempre achei) um critério melhor do que o quadro de medalhas porque acaba com distorções como Uganda na frente do Brasil só porque ganhou uma medalha na sua única final.

O Brasil não subiu ao pódio, mas colocou oito atletas entre os oito melhores de suas provas: dois em quinto, dois em sexto, dois em sétimo, um em oitavo (mais o revezamento, que não pontuou). Assim, fica atrás somente de quem tem realmente mais tradição no atletismo. As exceções são Austrália e Espanha, que o Brasil teria passado com a possível prata no revezamento.

Prata que não veio por conta da falha na passagem do bastão. E que abriu uma crise dentro da CBAt. Vanda saiu disparando. “Se eu que não peguei ou a Franciela que não passou, isso não importa. Aconteceu o erro. Acho que treinamos pouco. Infelizmente somos nós que respondemos pelo que acontece na pista, mas existem muitos problemas fora da pista que não temos como resolver. No período que ficamos na Alemanha, fizemos três treinos. Tem de perguntar ao (técnico) Katsuhico Nakaya se foi suficiente. Eu sou apenas uma atleta e faço o que me mandam”, disse ela ao SporTV,

E a Franciela reforçou: “Ficamos na Alemanha e fizemos três treinos. Fizemos alguma coisa errada. Não foi tão treinada a troca de bastão como queríamos. Eu não fiz um toque na mão da Vanda até o Mundial. Isso não justifica, mas é um dos fatores que influenciam. Nós treinávamos individual. Eu senti que faltou um pouco de revezamento”.

A parte mais importante foi dita por Franciela: “Eu não fiz um toque na mão da Vanda até o Mundial”. Isso porque Vanda não era titular da equipe e, pelo jeito, não foi testada. O nome para fechar o revezamento era Rosângela Santos, uma atleta que já correu para 11s23 este ano. Mais do que isso: que correu para 110s7 (com assistência de vento) na Olimpíada de Londres e foi semifinalista dos 100m.

Rosângela, que passou por problemas físicos este ano, mas ainda assim tinha tempos melhores que de Vanda (uma atleta de 200m, mais lenta na reta do que Rosângela, portanto). Na semifinal, com a titular, a equipe fez 42s29 para marcar o novo recorde sul-americano. Repetisse o tempo na final duas horas depois (e as três primeiras passagens haviam sido ótimas), era prata na certa, porque os EUA quase deixaram o bastão cair no fim dos 100m primeiros metros.

Voltando ao resultado coletivo: foi o melhor do placing table na história. Antes, vínhamos do 21º lugar em Daegu/2011 (quatro finais e um ouro), 26º em Barlim/2009 (cinco finais), 20º em Osaka/2007 (cinco finais e uma prata), 38º lugar em Helsinki/2005 (três finais), 27º em Paris/2003 (quatro finais, uma prata) e 44º em Edmond/2011 (duas finais).

Reparem que os piores resultados (26º, 38º e 44º), todos sem medalhas, foram em anos pós-olímpicos. E os melhores (21º, 20º e 27º), sempre com medalhas, em pré-olímpicos. Bom sinal para 2015???

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