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Esportista raro no Brasil, Isaquias vira candidato a 3 medalhas na Olimpíada

Demétrio Vecchioli

23 de agosto de 2015 | 09h08

Vôlei, vela, futebol, judô. O Brasil se acostumou a ir ao pódio em Jogos Olímpicos em modalidades nas quais cada atleta pode ganhar só uma medalha por edição. Independente do talento de Robert Scheidt, ele só pode subir uma vez ao pódio. Num país sem multimedalhistas, Isaquias Queiroz é gratíssima surpresa.

O baiano era conhecido como um dos melhores do mundo no C1 (canoa para uma pessoa) 1.000 metros. Foi bronze no Mundial de 2013 e brigava pelo título com o alemão Sebastian Brendel em 2014 quando sua canoa virou, a centímetros da linha de chegada.  Independente da falta de medalha no ano passado, era fortíssimo candidato ao pódio olímpico.

Mas o Mundial de Milão, encerrado neste domingo, mostrou um perfil diferente de Isaquias. O técnico espanhol Jesús Morlan o escalou para remar duas provas às quais não está acostumado: o C2 1.000m e o C1 200m, para que classificasse o Brasil à Olimpíada. O baiano não só atingiu a meta, como ganhou medalha nas duas provas.

Assim, ao fim da última grande competição antes da Olimpíada, Isaquias é campeão mundial do C2 1.000m (junto com Erlon de Souza), terceiro no C1 200m (só não ganhou o ouro porque largou mal) e indiscutivelmente um dos melhores do mundo no C1 1.000m (podia não ganhar o ouro, mas ficaria ao menos com o bronze se remasse a prova em Milão).

O plano nunca foi Isaquias remar as três provas na Olimpíada. Até onde se sabe, o planejamento era ele competir no C1 1.000m, Erlon e Rovilson Oliveira o C2 1.000m e Nivalter de Jesus o C1 200m. Só que essa formação permitira uma medalha apenas.

Num país que compete em casa e que tem como meta terminar no Top 10 do quadro de medalhas, pode se tornar insustentável a pressão para que Isaquias compita em todas as provas.

Pesa a favor o fato de que não há coincidência de datas, o que aconteceu nos Jogos de Londres, por exemplo. A primeira prova é o C1 1.000m (preferida de Isaquias), com eliminatória e semi na segunda e final na terça, depois vem o C1 200m (quarta e quinta) e só então o C2 1.000m (sexta e sábado).

O grande problema é remar nove tiros de largada em apenas seis dias, o que é absolutamente exaustivo. Pelo menos de 1992 para cá, ninguém nunca ganhou três medalhas olímpicas numa mesma edição de Jogos Olímpicos na canoagem velocidade.

Pensando nacionalmente, só Cesar Cielo (em Londres), Gustavo Borges (em Barcelona) e os atiradores Guilherme Paraense e Afrânio da Costa (na Antuérpia, há quase um século) ganharam duas medalhas numa mesma Olimpíada.

Da mesma forma, só Cielo (em 2009), Gustavo Borges (em 1994) e Claudinei Quirino (em 1999) ganharam duas medalhas em provas olímpicas em uma mesma edição de Campeonato Mundial. Isaquias, pelo que fez em Milão, é o quarto brasileiro a atingir tal feito.

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