As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Governo investiu R$ 540 mil, só em 2014, em boxeador que não vai à Olimpíada

Demétrio Vecchioli

08 de janeiro de 2015 | 12h18

Diferente do Bolsa Atleta, que é um projeto duradouro e funciona como uma forma de permitir que o atleta de alto rendimento continue no esporte depois de obter resultados expressivos, o Bolsa Pódio tem um único objetivo: preparar os melhores atletas do País para ganhar medalha em 2016. Um esportista só entra no programa se ficar entre os 20 melhores do ranking e tiver um plano esportivo aprovado.

Se o ministério do Esporte entender que realmente aquele atleta tem condições de brigar por medalha em 2016, o inclui no Plano Brasil Medalhas e permite a ele o acesso ao Bolsa Pódio. Foi assim que aconteceu com Everton Lopes, que desde janeiro do ano passado recebia R$ 15 mil mensais, o valor máximo da bolsa, por ter sido medalhista no mais recente mundial de boxe amador – bronze em 2013.

Everton recebeu R$ 180 mil para se preparar para os Jogos do Rio, mas abriu mão de disputar a Olimpíada porque foi seduzido por um valor (imagina-se) ainda maior para lutar no boxe profissional, como o Olimpílulas noticiou em primeira mão. Mesmo sabendo da possibilidade de perder um pugilista para o profissionalismo, o Governo Federal não incluiu qualquer cláusula que vetasse isso. Assim, Everton ficará normalmente com o dinheiro que recebeu por algo que não entregou.

“Everton Lopes recebeu doze parcelas (R$ 180 mil) da Bolsa Pódio (entre janeiro e dezembro de 2014) e havia sido aprovado na reavaliação feita no final de 2014, para iniciar novo ciclo da bolsa em 2015. Com a migração para o boxe profissional, a bolsa foi cancelada pelo ministério do Esporte. Desta forma, ele já não recebe a primeira parcela do novo período, que começaria neste mês de janeiro. Mas não será solicitada devolução do valor recebido, porque ele cumpriu o plano esportivo que tinha sido estabelecido para o ciclo inicial de um ano”, explicou o ministério ao blog.

Pelo Plano Brasil Medalhas, o Governo investia pesado em Everton. Pagava, por mês, R$ 10 mil em técnico e R$ 5 mil por profissional de equipe multidisciplinar (preparador, fisioterapeuta, nutricionista e psicólogo). Além disso, oferecia R$ 20 mil anual para equipamentos esportivos e bancaria viagens para treinos e competições. São mais R$ 380 mil jogados no lixo.

No total, a preparação olímpica de Everton Lopes custou ao País, no ano passado, ao menos R$ 540 mil. Quando recebeu o convite para lutar em uma liga semi-profissional, a APB, o boxeador não quis assinar (o cinturão vale US$ 100 mil), provavelmente para não ter que pagar a multa contratual caso mudasse de ideia e fechasse com a promotora Golden Boy. Poderia ter feito o mesmo com o governo, abrindo mão do Bolsa Pódio. Continuaria recebendo R$ 17 mil ao mês somando Bolsa Atleta, salário CBBoxe, soldo da Marinha, patrocínio da Petrobrás e Bolsa do Governo da Bahia.

Tudo o que sabemos sobre:

Everton Lopes