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Fabiana Beltrame fica fora do pódio do Mundial e amplia crise do remo brasileiro

Demétrio Vecchioli

04 de setembro de 2015 | 15h33

Insatisfeita com suas opções de parceiras no double skiff peso leve, Fabiana Beltrame foi ao Mundial de Remo de Aiguebelette (França) para novamente competir numa prova que não faz parte do programa olímpico, o single skiff peso leve. Campeã mundial em 2011 e prata nos Jogos Pan-Americanos, desta vez ela não conseguiu medalha, terminando em quarto.

O resultado amplia a crise vivida pelo remo brasileiro porque, em anos pré-olímpicos, apenas quem não pretende ir à Olimpíada participa no Mundial do single skiff no peso leve, de até 59kg. Os melhores atletas estão focados em obter vaga nos Jogos do Rio, o que deixa a disputa da qual Fabiana Beltrame participou com menor nível técnico.

Na final desta sexta-feira, a brasileira foi quarta colocada, atrás de Nova Zelândia (ouro), Grã-Bretanha (prata) e EUA (bronze). Fabiana ficou a quase seis segundos de distância do pódio, enquanto as três primeiras foram separadas por dois segundos, apenas.

O Brasil só tem vaga olímpica no single skiff, para atletas mais pesadas. O Mundial é o primeiro Pré-Olímpico para que o País pudesse obter vaga em outras provas, especialmente o double skiff peso leve, embarcação na qual Fabiana competiu nos Jogos de Londres, ao lado de Luana Bartholo.

A principal estrela do remo brasileiro, entretanto, alega que não encontrou parceiras de bom nível. Há duas semanas, deu uma entrevista dizendo que não faz milagres. A declaração repercutiu mal entre outras atletas e Fabiana teve que se desculpar em postagem no seu perfil no Facebook.

“As vezes as palavras não saem como a gente gostaria ou não somos bem compreendidos. Nunca quis dizer que não existe uma menina boa para remar comigo, pelo contrário, tem varias atletas treinando e melhorando muito, com grande potencial. A minha decisão tem muito mais a ver comigo mesmo e pelo momento que atravesso, prestes a me aposentar”, argumentou.

O remo brasileiro, entretanto, ficou à espera da decisão de Fabiana e nenhum barco forte foi formado para o double skiff peso leve, de forma que é improvável a classificação para os Jogos Olímpicos – serão só duas vagas em jogo no Pré-Olímpico da América Latina.

A fase é tão ruim que o Brasil só levou outros dois barcos ao Mundial. Steve Hiestand, suíço que recentemente passou a defender a bandeira brasileira, pátria da mãe, vai disputar a final C do single skiff, brigando por posições entre o 13.º e o 18.º lugares.

Já no ‘dois sem’ o Brasil foi representado por Vinícius Delazeri e Victor Ruzicki , que terminaram em quinto na final D. Os jovens, que disputaram o Mundial Sub-23 deste ano, ficaram no 23.º lugar entre 26 barcos. Para ir à Olimpíada, precisavam ficar entre os 12 primeiros colocados.

Agora, se o Brasil quiser ter mais representantes no Rio do que o single skiff masculino (provavelmente Steve) e feminino (Fabiana Beltrame), terá que buscar vagas pelo Pré-Olímpico da América Latina. São duas vagas no double skiff peso leve tanto no masculino quanto no feminino.

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