Filha de Torben é primeira brasileira campeã mundial de vela
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Filha de Torben é primeira brasileira campeã mundial de vela

Demétrio Vecchioli

21 Setembro 2014 | 14h58

Medalhistas de ouro e prata comemoram juntas o resultado no Mundial

“Nunca antes na história desse País”, diria o ex-presidente, o Brasil teve uma mulher campeã mundial de vela. Agora tem duas. Martine Grael e Kahena Kunze conquistaram, neste domingo, o título mundial da 49erFX, a nova classe olímpica da vela. Prata no ano passado, garantiram o ouro em Santander (Espanha) ao chegar em terceiro na medal race (regata da medalha) no último dia de competição.

Martine, não custa lembrar, é filha de Torben Grael, maior medalhista olímpico do País (empatado com Robert Scheidt) e que, desde o ano passado, é o coordenador técnico da seleção brasileira de vela. Aos 23 anos, a niteroiense deu uma sorte ímpar na carreira. Chegou à idade adulta exatamente no momento em que a 49erFX se tornava classe olímpica. Talento e oportunidade juntos não poderia dar outro resultado.

Fala-se mais de Martine do que de Kahena porque a função da filha de Torben é no timão, comandando o barco. A companheira, na proa, tem papel fundamental, claro, mas cumpre ordens. Se a dupla for desfeita, os pontos no ranking mundial seguem com Martine.

Os resultados falam por si. Desde que a 49erFX começou a ter disputas mais competitivas, Martine/Kahena mais venceu do que ganhou. Foram oito títulos em 15 provas. Somam-se a isso quatro segundos lugares: duas vezes no Europeu, uma no Mundial do ano passado e outra no Norte-Americano deste ano (o nome importa pouco: todo mundo compete em todo lugar).

Em Santander, as brasileiras não começaram tão regulares quanto as dinamarquesas Ida Nielsen e Marie Olsen, mas foram se recuperando à medida que o vento aparecia. Ao fim da fase de classificação, sábado, elas tinham dois pontos de desvantagem, o que significava que só precisavam chegar à frente das dinamarquesas na medal race, que têm pontuação dobrada. E foi isso que aconteceu, com um terceiro e um quarto lugares, respectivamente.

De forma geral, o Mundial foi ruim para o Brasil, que pleiteava três medalhas (chegou com chance em seis) e acabou com uma só. A vela é tradicional fonte de medalhas e, em 2016, para que o Brasil fique no top10 do quadro de medalhas, precisa ser ter melhores resultados. Mas isso é tema para outro post.