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Fim de semana movimentado tem medalhas importantes para o Brasil

Demétrio Vecchioli

27 de abril de 2015 | 13h00

O fim de semana foi de competições importantes para os esportes olímpicos. Em três eventos o Brasil conquistou grandes resultados: o Campeonato Pan-Americano de Judô (medalha em 13 das 14 categorias), o Mundial Júnior e Sub-23 de Canoagem Slalom (medalha em três das quatro provas olímpicas) e na etapa de Hyères da Copa do Mundo de Vela (quatro medalhas). No Pan de luta livre, o desempenho ficou dentro do esperado, não mais nem menos que isso. Já o boxe perdeu a chance de brilhar em Porto Rico.

Nos posts sobre a vela (aqui) e a canoagem (aqui), já comentei a importância dos resultados. Em síntese, a vela voltou a ganhar mais de uma medalha em um mesmo evento de grande porte após 15 meses, entrando no ritmo esperado para 2016. Fernanda Oliveira e Robert Scheidt pararam de bater na trave e Martine Grael manteve a rotina de pódios. Já na canoagem os resultados devem ser olhados como da seleção adulta, uma vez que o time sub-23 é também o principal. Todos os medalhistas devem ir à Olimpíada.

No judô, dificilmente poderia ser melhor. Por pouco o Brasil não cumpriu a meta de ganhar medalha em todas as categorias, ficando de fora do pódio apenas com Charles Chibana (66kg). Maior revelação desse ciclo olímpico, ele perdeu de um cubano na estreia. Por outro lado, o plano era ganhar cinco ou seis ouros, mas vieram oito, sendo três no feminino, cinco no masculino.

Entre os homens, praticamente manteve-se o desempenho do ano passado, em Guayaquil. Em 2014, o Brasil fez todas as finais e só Luciano Corrêa (até 100kg) foi derrotado por um cubano. Neste ano, Luciano voltou a perder do vice-campeão mundial. Só Chibana, como já escrevi, não brigou por medalha.

Em duas categorias, a final foi Brasil x Brasil, com Rafael Silva vencendo David Moura (+100kg) e Felipe Kitadai superando Eric Takabatake (até 60kg). O resultado foi especialmente importante para Kitadai, que passou o rival para virar o melhor brasileiro no ranking olímpico. Importante explicar: ele já estava à frente no ranking mundial, que leva em conta resultados que serão descartados antes da Olimpíada; por isso, o que vale é o ranking olímpico.

Tricampeã continental, Victor Penalber segue intocável entre os primeiros do ranking mundial e deixa muito complicada a situação de Leandro Guilheiro, que ficou dois anos afastado por lesão e ainda não voltou à velha forma. Já Tiago Camilo, finalista pelo terceiro ano seguido, praticamente encerra a disputa depois de vencer o campeão mundial Asley Gonzalez (Cuba). Vai para a Olimpíada.

JUDOCAS – No feminino, uma reviravolta. Depois de levarem um banho das cubanas no ano passado (quatro ouros a um), as brasileiras reagiram e fecharam o Pan com três de ouro: Sarah Menezes (48kg), Erika Miranda (52kg) e Mayra Aguiar (até 78kg).  As cubanas também ganharam três medalhas douradas, mas as três pratas deixaram o Brasil na frente no quadro de medalhas.

Para Sarah Menezes, foi a volta ao pódio depois de resultados ruins em cinco eventos, incluindo o Mundial. A campeã olímpica venceu a argentina Paula Pareto (vice-campeã mundial) e a cubana Dayaris Mestre Álvarez, rivais de peso. Erika teve um Pan tranquilo, enquanto Mayra Aguiar, na sua primeira competição após o título mundial, venceu a arquirrival Kayla Harrison (EUA) pela terceira vez seguida. Agora o placar está 7 x 5 para a gaúcha.

Quatro derrotas podem ser consideradas normais. Rochele Nunes (+78kg) foi vencida na final pela cubana Idalys Ortiz, bicampeã mundial. Rafaela Silva (57kg) perdeu o ouro para a norte-americana Marti Malloy, na revanche da final do Mundial de 2013.  Já Bárbara Timo foi superada pela campeã mundial Yuri Alvear (Colômbia) na semifinal da categoria até 70kg e pela cubana Onix Aldama, bronze no último Mundial, na repescagem. A atleta do Flamengo havia vencido o duelo direto contra Maria Portela, mas ficou sem medalha. A gaúcha, entretanto, levou bronze e ampliou a vantagem no ranking.

No total, no feminino, foram cinco vitórias do Brasil contra três de Cuba no confronto direto. As cubanas venceram com Aldama (70kg, sobre Maria Portela), Ortiz (+78kg, sobre Rochele Nunes) e na final da categoria até 63kg, com Maylin Del Toro Carvajal superando Mariana Silva. Ketleyn Quadros também lutou na até 63kg, depois de desistir de concorrer com Rafaela Silva na até 57kg, mas perdeu de uma colombiana na estreia. 

LUTA – Apesar do desenvolvimento da modalidade, confirmado pela prata de Aline Silva no Mundial, o fato é que o Brasil ainda está longe de ser uma força relevante na luta olímpica. Prova disso foi o Campeonato Pan-Americano, em que os brasileiros só subiram ao pódio em seis das 18 categorias olímpicas, com apenas uma de ouro. Na greco-romana, só vai levar um atleta ao Pan de Toronto.

No masculino, a melhora é mínima, ainda que relevante. Afinal, foram duas medalhas (um bronze, com Juan Bittencourt, e uma prata, de Davi Albino) em 12 categorias. Como comparação, o Brasil não foi ao pódio nenhuma vez no Pan de Guadalajara (2011), quando havia 14 categorias masculinas.

Mas é necessário também observar, entretanto, que os brasileiros perderam 66% das lutas que fizeram. Dos 11 atletas que foram a Santiago, só quatro venceram pelo menos uma luta (os medalhistas, Pedro Rocha e Hugo Cunha) , sendo só um na luta greco-romana (Davi). Os demais fizeram 12 lutas e perderam 12 vezes.

No feminino o nível é bem melhor e a prova são as três medalhas, em seis categorias olímpicas. Joice Silva venceu quatro lutas, uma delas contra uma cubana, e ficou com o ouro na categoria até 58kg. Giulia Penalber também foi bem, com o bronze na até 53kg, apesar de ter perdido na estreia (ganhou duas na repescagem). Já Aline Ferreira perdeu de uma cubana, mas terminou em terceiro na categoria até 75kg. Mesmo quem não ganhou medalha foi bem.

Gilda Oliveira (69kg) e Kamila Barbora (48kg) ganharam duas lutas, perderam duas e terminaram em quinto, derrotadas na luta do bronze. Lais Oliveira (63kg) estrou contra uma norte-americana e foi logo eliminada.

BOXE – A seleção brasileira participou de um torneio em Porto Rico, o José Aporte, que reuniu os melhores atletas locais, da República Dominicana, da Venezuela e do Canadá. Um mini Pan-Americano, sem Cuba e EUA, potências do continente. Por isso, é frustrante observar o quadro de medalhas com apenas três de ouro, além de seis de prata.

Em duas das categorias em que o Brasil levou dois atletas, os resultados foram relevantes para escolher o/a titular da seleção. No peso pesado (+91kg), Rafael Lima venceu a final contra Cosme Nascimento na sua volta à equipe. No meio-pesado feminino (até 75kg), Flávia Figueiredo superou Andreia Bandeira em final brasileira. Já no peso leve (até 60kg), Tayna Cardoso ainda venceu uma luta. Adriana Araújo perdeu na estreia.

Do grupo que viajou para Porto Rico, três atletas não lutaram, exatamente os principais nomes do masculino (Patrick Lourenço, Robenilson de Jesus e Robson Conceição). A CBBoxe não explicou os motivos. Estreando como titular na vaga que era de Everton Lopes, Jodielson Teixeira (o Chocolate) perdeu de um atleta local na primeira luta. Myke Carvalho e Roberto Queiroz também não chegaram à final. Julião Neto, Carlos Rocha e Michel Borges foram prata. Juan Nogueira ganhou ouro.