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Fora do Mundial, Pessanha comemora recuperação e mira recuperar titularidade na seleção

Demétrio Vecchioli

06 de agosto de 2013 | 23h59

Hugo Pessanha

Hugo Pessanha é um judoca de grande qualidade, mas que não teve sorte com seus concorrentes. Lutou na mesma categoria de peso de Flávio Canto quando este viveu seu auge. Depois, teve que disputar um lugar na seleção brasileira e nos Jogos de Londres/2012 com Tiago Camilo. Fora da Olimpíada, sofreu uma lesão séria, no ligamento cruzado anterior do joelho direito, pensou em parar de lutar, mas decidiu continuar.

Com espaço reduzido por conta da concorrência com Tiago Camilo e da dificuldade de bater o peso na categoria até 90kg, decidiu subir para a até 100kg, onde disputa uma vaga de titular da seleção com o amigo Luciano Corrêa, seu companheiro de treino no Minas Tênis Clube – e também com Renan Nunes, hoje número 1 do País, e Rafael Buzacarini.

Desde que voltou da lesão, em maio, disputou duas etapas do Circuito Mundial (em Miami e El Salvador) e ganhou duas pratas. Foi chamado para treinar com a seleção no Japão, em preparação para o Mundial, mas acabou fora da convocação divulgada segunda-feira. Ele, porém, garante que não há motivos para tristeza.

Confira agora entrevista exclusiva com o judoca:

Como você encarou a lista da seleção, que te deixou de fora do Mundial do Rio? Eu já esperava. A princípio, essa convocação para vir treinar aqui (no Japão) foi uma surpresa para mim, justamente por conta do número de competições que eu fiz antes de vir pra cá. E o pessoal foi bem na última competição antes do Mundial, o Grand Slam de Moscou. Tivemos dois atletas no pódio da categoria até 66kg, mais o Luciano medalhando na até 100kg. Então nada mais justo que esses atletas serem convocados, eles fizeram por merecer. (O Brasil convocou dois atletas além dos que são melhores do País na suas categorias de peso. Um foi Luiz Revite, bronze na categoria até 66kg, o outro Luciano Corrêa, que ganhou medalha do mesma mesma cor).

A convocação para esse camping no Japão não te deu uma falsa esperança? Eu estava aguardando e o que fosse acontecer para mim já seria lucrativo. O que eu tinha nas mãos: um estagio técnico de duas semanas treinando no Japão – que é uma das melhores, senão a melhor escola de judô do mundo -, e uma oportunidade, dependendo dos resultados da galera, de lutar o Mundial, logo no primeiro ano na nova categoria e no primeiro ano pós-cirúrgico. Se eu não fosse convocado, só o treino valeria muito à pena. E está valendo. Estou conformado em não participar e aproveitando a oportunidade de estar aqui.

E como são esses treinos no Japão? A gente está fazendo um treino por dia, porque é muito cansativo. São duas horas e meia de treino todo dia com os atletas de uma universidade aqui do Japão. E dentre eles tem alguns atletas da seleção japonesa.

O Tiago Camilo sofreu uma lesão no Masters e não está no Japão com vocês. De repente você poderia aparecer no Mundial como um reserva para ele. Você não se arrepende da subida de peso após o último ciclo olímpico? Zero arrependimento. Tomei a decisão junto com a minha família e meu clube ficou ciente logo que eu decidi. Meu peso normal é 101kg, mas na época eu regulava a minha alimentação e pesava 95kg.

E ainda sobravam 5kg para tirar… Sim. E eu sentia que meu corpo queria crescer mais e eu não deixava. Acabei me lesionando demais nos últimos duas ciclos e uma das causas foi essa. Estou mais “leve”, mais forte. Em resumo, mais feliz. Foi uma mudança boa em todos os sentidos, o meu único pesar é que agora eu disputo vaga com um dos meus melhores amigos no judô, o Luciano Corrêa. Amigo de judô, parceiro de clube.

Como é essa rivalidade? Concorrer com alguém por uma Olimpíada é complicado. Não é uma coisa simples, é um sonho.

Você teme pela amizade de vocês dois? Sim. Temo. Mas por enquanto estamos lidando muito bem com essa situação. Inclusive, ia descansar quando chegasse no Brasil, mas agora não vai dar (risos). Vou ter que ajudar ele no treino para o Mundial, antes de ele ir para o Rio.

Você falou que os resultados do Grand Slam de Moscou pesaram. Mas você, como terceiro nome na hierarquia da categoria atualmente, nem teve chance de lutar na Rússia, só em torneios menores. Como reverter isso? Eles foram convocados pois estão melhor ranqueados do que eu. A CBJ ainda está me testando na nova categoria. Creio que eles já perceberam que eu ainda tenho muito gás para dar e já me adaptei, então espero ser convocado mais vezes e para competições que valem mais pontos. Para virar titular é continuar competindo e subindo no ranking.

Depois de perder a corrida olímpica para o Tiago Camilo, você disputou o Grand Slam do Rio e se machucou. Como foi esse afastamento? Fiquei 11 meses sem competir. Foram seis meses sem treinar. De junho a dezembro. E em abril voltei a treinar forte.

Aquela pergunta padrão: pensou em chegar a parar? Sim (risos) Afinal, já estou com 27 anos, e a vida está passando. Mas o sonho me fez continuar. É muito difícil abdicar dele, ainda mais depois de chegar tão perto duas vezes. Não quero ficar mais velho e olhar pra trás e achar que eu n tentei o suficiente.

Quando você decidiu que não desistiria? Cara, várias vezes. A reabilitação de cruzado anterior é muito penosa. Várias vezes dá vontade de jogar tudo para o alto. Mas aí eu vejo as medalhas antigas, fotos, lembro de momentos… Vejo meu quimono, minha faixa. E percebo que os poucos momentos de glória que o judô me trouxe, foram os melhores da minha vida. Os sonhos que já realizei, as viagens, amigos, decepções, vitorias, derrotas.. Tudo.

Mundial do Rio agora é passado para você. E daqui para frente? Tem Mundial em 2014, na Rússia. A meta é procurar me adaptar cada vez mais a nova categoria e ir buscando pódios para subir no ranking.

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