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Frustrado, João de Lucca quer provar que deveria ter nadado na Olimpíada

Demétrio Vecchioli

12 de abril de 2013 | 09h00

João de Lucca foi, mas não nadou

João de Lucca foi, mas não nadou

Ir à Olimpíada e sequer sentir o gostinho de cair na piscina. João de Lucca ainda não engoliu o que viveu em Londres, em agosto do ano passado. O carioca de 23 anos foi convocado para ser o segundo reserva do revezamento 4x100m livre, mas como só Cesar Cielo abriu mão de não a eliminatória, Lucca não foi chamado a competir. A equipe brasileira não avançou à final e o atleta da Universidade de Louisville voltou para casa cheio de vontade de provar que podia.

João de Lucca começou a volta por cima ganhando, há duas semanas, a prova de 200 jardas na NCAA, a fortíssima Liga Universitária Norte-Americana. Nas 100 jardas, foi bronze, atrás do russo Vladimir Morozov, e do também brasileiro Marcelo Chierighini.

Mas o recomeço virá mesmo a partir do Troféu Maria Lenk, no fim do mês, no Rio. Ali, poderá carimbar o seu passaporte para o Mundial de Barcelona, onde quer surpreender. “Acho que em Barcelona posso me chocar com o que posso fazer. Estou ainda mais focado por não ter nadado a Olimpíada. Dá uma vontade a mais de provar pros caras que eu poderia estar na Olimpíada até nadando prova individual”, diz ele, que pondera: “É uma magoa que levo numa boa, para cada dia treinar mais forte. O que passou, passou….”

João vai nadar o Maria Lenk pelas cores do Marina Barra Clube. Ele era atleta do Flamengo, mas também foi dispensado quando o clube fechou as portas para a natação profissional. “Quando saí do Flamengo, não procurei ninguém, ninguém veio falar comigo”, conta, indicando que os três anos em que está nos EUA o deixaram de fora do restrito círculo da natação brasileira. Assim, vai nadar pelo clube onde foi formado.

Quer fazer bonito e mudar sua imagem no Brasil. “Acho que vai ser uma nova fase, vão me olhar de maneira diferente. Não vou ser mais o João de Lucca que pega final de brasileiro”, comenta ele, que trabalha com uma meta clara, semelhante a de tantos e tantos esportistas brasileiros: ganhar medalha nos Jogos do Rio. Para ele, teria um gostinho especial: “Seria no meu bairro, a Barra”.

A maior chance de bons resultados é nos 200 metros livre. O tempo com que ele ganhou a NCAA (1min31s51) é o terceiro melhor da história das 200 jardas livre (nadada só nos EUA). Quando questionado sobre a possibilidade de bater o recorde sul-americano de Thiago Pereira na piscina medida em metros (1min46s57), João de Lucca se faz de rogado e diz que nem sabe qual é o recorde. Mas ele pessoalmente ele tem uma meta: nadar na casa de 1min46s no Maria Lenk. O recorde seria consequência.

Outra chance é no revezamento 4x100m livre, que João de Lucca quer nadar em Barcelona. E como titular, uma vez que, na cabeça dele, nem passa a hipótese de um nadador abrir mão de disputar uma eliminatória para se poupar visando uma prova individual. “Tem que nadar, porra. É pago para isso! Vem com esse papo de que vou cansar?”.

Para ele, essa é uma questão cultural. “Aqui nos Estados Unidos tem o Dual Meet’s, com uma faculdade enfrentando outra faculdade. Você nada sete vezes em três horas. Isso dá maior base. Atleta tem que fazer seu trabalho.”

Nos Estados Unidos, com o técnico brasileiro Arthur Albiero, João de Lucca diz ter aperfeiçoado a técnica para ser um nadador melhor. “Eu sempre perdia muito na saída. Minha saída é uma bosta. Minha virada também é muito ruim Eu tinha um submerso bom, mas não botava nas provas. Acaba que bloqueava. O lance de nadar na piscina curta é muita técnica, você tem pouco espaço de nado, é muita virada. Tive que aprender”, conta ele.

O carioca não se considera um velocista e por isso acha que não se encaixaria no PRO-16, projeto de Cesar Cielo que não vive seu melhor momento. Prefere nadar a prova de 200m, uma das mais fracas na natação brasileira no momento. No Maria Lenk, também vai competir nos 50m e nos 100m livre.

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