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Garoto de 15 anos é campeão brasileiro adulto na esgrima

Demétrio Vecchioli

09 de outubro de 2014 | 02h39

Alexandre Camargo completou apenas 15 anos em abril, mas já é campeão brasileiro adulto na esgrima. A revelação da Academia Mestre Kato, de Curitiba, já havia feito um bom Mundial Cadete e subido ao pódio em Porto Alegre e Barbacena (MG), nas etapas do Circuito Brasileiro. O garoto brilhou mais que todo mundo para ganhar o ouro na espada no Campeonato Brasileiro, disputado no fim de semana passado, no Rio. Na final, vitória por 15/12 sobre o líder do ranking brasileiro Athos Schwantes. Richard Grunhauser completou o pódio.

O Brasil tem direito a oito vagas na Olimpíada na esgrima e deve usá-las para levar quatro atletas em cada naipe (uma equipe de uma arma e um atleta individual de outra). No masculino, deverá ser equipe de florete e um atleta da espada (porque Renzo Agresta deverá obter a vaga sozinho no sabre). Assim, o título brasileiro credencia Alexandre a sonhar em estar na Olimpíada do Rio.

No florete, o ouro ficou com o franco-brasileiro Ghislain Perrier, que ganhou até que com certa facilidade. Fernando Scavasin (prata), Henrique Rochel (bronze) e Heitor Shimbo (em quarto) também fizeram semifinal. Guilherme Toldo, segundo do ranking, não competiu.  Com 17 anos, Pedro Morostega ainda está um degrau abaixo. Por fim, no sabre, título tranquilo de Renzo Agresta, que sobra nesta arma. Enrico Pezzi, de 20 anos, ficou com a prata.

ESGRIMA FEMININA – No feminino, a principal disputa foi na espada, arma em que o Brasil vai levar equipe à Olimpíada. Hoje, são sete atletas brigando por três vagas. Menos cotada do que as companheiras, a veterana Clarisse Menezes (35), do Clube Militar do Rio, venceu o Brasileiro, superando Amanda Simeão (prata), Cleia Guilhon (bronze) e Rayssa Costa (quarto). A arma ainda tem a norte-americana/brasileira Katherine Miller (perdeu da campeã nas quartas), a veterana Bianca Dantas (ficou em sexto) a italo-brasileira Nathalie Moellhausen, ex-campeã mundial, que não veio ao País desta vez.

No florete, são quatro brigando por uma vaga no Rio. Ana Bulcão dessa vez levou a melhor, fazendo final contra a garota Gabriela Cecchini. Mariana Dafner e a líder do ranking nacional Thaís Rochel perderam na semifinal. O sabre está num nível abaixo. Karina Lakerbai vem dominando a arma e ganhou o Brasileiro, superando Elora Ugo Pattaro. Giulia Gasparin, Karina Trois e a hispano-brasileira Marta Baeza fecharam o top5, como sempre acontece.

(Aproveitando o post, seguem as Olimpílulas da Semana, com os resultados do fim de semana passado. Tá velho, mas não tanto assim)

ATLETISMO – Como não poderia ser diferente, o Brasil dominou o Sul-Americano Sub-23 de Atletismo, com alguns resultados interessantes. Nos 200m, Aldemir Gomes Júnior bateu o recorde do campeonato, com 20s50 (equivalente ao terceiro tempo do ranking nacional, que ele lidera).  No peso, Willian Braido alcançou 18,98m e o segundo lugar do ranking brasileiro. Fernando Carvalho Ferreira chegou a 2,24m no salto em altura, seu recorde pessoal, e ficou a 1cm de Talles Frederico, o líder do ranking. Bateu, assim, o recorde do campeonato. Já nos 100m, Bruna Jéssica Farias foi prata com 11s52 e se colocou como sexta melhor do País (pode brigar por lugar no revezamento)..

BOXE – Uma das categorias em que o Brasil vai mais mal no boxe masculino é o peso super pesado (+91kg), mas na semana passada Cosme Nascimento venceu duas lutas (a final por nocaute) para ganhar o ouro na Copa Romana, na República Dominicana. O Brasil ainda fez prata com Arisson Tavares (69kg) e bronze com Joedison Teixeira (64kg).  Carlos Silva (52kg) e Carlos Rocha (56kg) perderam na estreia.

NATAÇÃO – Mar del Plata, na Argentina, recebeu o Campeonato Sul-Americano de Natação. O Brasil levou uma equipe forte, desfalcada de nem uma dezena de nomes (Cielo, Thiago Pereira, Felipe Lima, Bruno Fratus e mais alguns). Ganhou o título nos dois naipes e, consequentemente, na soma geral, mas com pouca folga sobre a Argentina. Por conta do Pan-Pacífico, do Finkel e do Mundial de Curta, os brasileiros não competiram raspados. Por isso, é desleal medir os tempos. Matheus Santana, por exemplo, foi prata nos 100m livre nadando na casa de 50s.

NADO SINCRONIZADO – Em Quebec (Canadá) aconteceu a Copa do Mundo de Nado Sincronizado, uma espécie de Mundial da modalidade, sempre realizado em anos pares (os ímpares têm Mundial de Desportos Aquáticos). O Brasil foi quinto no conjunto, mas isso não significa muito. Afinal, Rússia, Espanha (duas melhores do mundo), Itália, França, Coreia do Norte e Grécia não competiram. Com elas, o Brasil teria terminado no 10.º lugar que lhe é de direito. Em Quebec, o feito foi passar o México, que foi melhor em Barcelona/2013.

No dueto, o Brasil estreou a dupla Luisa Borges/Maria Eduarda Miccuci. Elas ficaram em um bom sétimo lugar, deixando para trás Itália, República Checa e México, que foram melhor no Mundial do ano passado.  Em Barcelona, Lorena Molinos e Giovana Stephan acabaram num desgostoso 13.º lugar. Como a Coreia do Norte não competiu em Quebec, hoje a posição real do Brasil é o nono lugar no mundo.

TRIATLO – Com a presença de muitos europeus, a Copa do Mundo de Cozumel (México) não foi fácil para os brasileiros, que tiveram resultados piores que no ano passado, quando o Brasil fez top20 nos dois naipes. No masculino, o melhor foi Diego Sclebin (22.º), com Danilo Pimentel em 32.º, Reinaldo Colucci no 36.º lugar e Wesley Matos logo abaixo. Pâmella Oliveira não competiu. Assim, a jovem Luisa Baptista foi a melhor do País, no 32.º lugar. No ranking, Reinaldo é 34.º, Diogo 37.º e Pâmela a 16.ª.

JUDÔ – O Brasil teve que levar três atletas para a Copa Pan-Americana, em Barbados, que sequer vale pontos no ranking mundial, para poder obter, no tatame, vaga em todas as categorias do Pan de Toronto, ano que vem. Mariana Silva fez a parte dela e levou ouro na até 63kg. Bárbara Timo ficou com a prata na até 70kg. Nesta categoria, Karol Gimenes, do SESI-SP, estreou na seleção com duas derrotas.

REMO – Em São Paulo aconteceu o Brasileiro Júnior de Remo, com poucas provas. O Botafogo levou a melhor em quase todas as masculinas, liderado por Uncas Tales, que ganhou quatro de ouro. No feminino, o Flamengo ganhou. No geral, como a competição teve mais provas masculinos, título alvinegro.

GOLFE – Radicado na África do Sul, Adilson da Silva foi segundo colocado na etapa de Taiwan do Circuito Asiático Profissional, somando, só neste torneio, mais de US$ 61 mil em prêmios e salvando o ano. Desconhecido no País, ele já se aproxima dos US$ 500 mil em prêmios e pulou para o 278,º lugar do ranking mundial. Se continuar assim, vai assegurar vaga na Olimpíada sem que o Brasil dependa da convite. O próximo brasileiro do ranking é Fernando Mechereffe, no 705.º lugar.

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