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Grand Slam de Tóquio é marcado por derrotas para japonesas

Demétrio Vecchioli

01 de dezembro de 2013 | 16h47

A CBJ contratou a técnica japonesa Yuko Fujii e levou a seleção para um estágio no Japão antes do Mundial. Tudo para que o Brasil aprendesse como enfrentar japoneses. Não aprendeu. Pelo menos foi isso que mostrou o Grand Slam de Tóquio, encerrado neste domingo. Foram 20 confrontos Brasil x Japão e 16 vitórias dos japoneses. No feminino, 12 lutas e 11 derrotas brasileiras. É muita coisa.

A CBV, obviamente, nem cita o problema em seu site oficial. Avalia que o desempenho brasileiro em Tóquio, de três medalhas de prata e uma de bronze foi “muito bom”. Não foi. Não foi porque o Brasil levou o que tinha de melhor. Levou sete atletas que estão entre os cinco melhores do mundo em suas categorias, três líderes de ranking.

No feminino a dificuldade contra japonesas marcou a temporada negativamente. O Brasil perdeu para elas na final do Mundial por Equipes e também na decisão do World Combat Games, quando as brasileiras eram as titulares e as japonesas as reservas.

Hoje o Brasil tem pelo menos seis judocas que chegam sempre (dessas, só Mayra Aguiar não foi a Tóquio). Erika Miranda foi prata, Sarah Menezes bronze, Ketleyn Quadros e Rafaela Silva terminaram em quinto no Japão. Dos principais nomes, só Maria Suelen Altheman perdeu na estreia e decepcionou, mas foi compensada pelos quintos lugares de Mariana Barros e Eleudis Valentim, as boas surpresas da temporada.

Logicamente que essa regularidade é importante e o Brasil evoluiu, ao fim de 2013, do patamar que estava no começo do ano. Isso é muito claro. O País é a segunda potência do judô feminino. Mas em nenhuma outra modalidade de luta há tanta discrepância para os melhores do mundo.

RESULTADOS – Em Tóquio a melhor campanha brasileira foi de Erika Miranda, que foi até a final, vencendo a boa romena Chitu, mas perdeu o ouro num ippon após 30 segundos de luta para a japonesa Yuki Hashimoto. Resultado normal para uma ótima judoca que já havia sido prata no Mundial. Se continuar assim e subir ao pódio no Rio, perfeito.

Com Sarah Menezes é diferente. Ela é líder do ranking mundial, campeã olímpica, e por isso a cobrança por resultados é maior. Neste ano perdeu para a japonesa Endo na final do Masters e, em Tóquio, foi superada por Ami Kondo na semifinal. Acabou com o bronze, mas precisa aprender a lutar contra japonesas. A proporção de derrotas é muito grande: 15 em 20 lutas no Circuito Mundial.

Para Rafaela Silva o problema é menos pior porque ela venceu Anzu Yamamoto na final no Rio para ser campeã mundial. Mas aquela foi só uma das quatro vitórias sobre japonesas em 17 lutas. Também muito pouco para uma líder do ranking mundial. Em Tóquio, derrotas para Yamamoto e para Christa Deguchi que deixaram Rafaela sem medalha.

O mesmo vale para outras judocas importantes como Ketleyn Quadros. Em Tóquio ela também perdeu para Yamamoto, chegando à oitava derrota em 11 lutas contra japonesas. Katherine Campos chegou a seis derrotas em seis confrontos – 100% de aproveitamento negativo. Em Tóquio, perdeu duas vezes.

Já Maria Suellen Altheman conheceu seu sétimo revés em 10 lutas ao perder logo na estreia para Sara Asahina. Rochele Nunes, por sua vez, acabou derrotada novamente por Idalys Ortiz, adversária que venceu na final da Universíade na categoria +78kg e de quem perdeu, no mesmo torneio, na decisão absoluta. A gaúcha ficou sem medalha em Tóquio porque também caiu diante da cubana Qian Qin – acabou em sétimo

SÓ UMA – Das seis judocas que foram a Tóquio tentando garantir vaga na seleção em 2014, só uma conseguiu. Foi Mariana Barros, que terminou em quinto na categoria até 63kg – perdeu de uma francesa e uma sul-coreana, mas venceu a holandesa que é quarta do mundo.

Eleudis Valentim até fez a parte dela, terminando também em quinto (perdeu de Hashimoto e de Chitu) na categoria até 52kg. Mas não atingiu a meta. De resto, derrotas na estreia. Nathalia Brígida e Nadia Merli perderam de japonesas, enquanto Maria Portela foi derrotada por uma russa. Rochele também lutava por vaga na seleção.

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