Henrique mostra Brasil forte nas argolas e pode virar ‘problema’ para 2016
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Henrique mostra Brasil forte nas argolas e pode virar ‘problema’ para 2016

Demétrio Vecchioli

28 de março de 2014 | 12h00

Arthur Zanetti pode não ser o único brasileiro no pódio das argolas nos Jogos Olímpicos do Rio/2016. Henrique Medina Flores, que já vinha tendo resultados consistentes em competições nacionais e continentais, teve finalmente a chance de mostrar valor num torneio grande. Nesta quinta, ganhou medalha de prata na Copa do Mundo de Ginástica Artística de Doha, no Catar.

Na final, Henrique teve nota de partida 6.900 para terminar com 15.425 pontos, empatado com o armênio Vahagn Davtyan. O ouro ficou com outro atleta da Armênia, Artur Tovmasyan. Os dois tinham nota de partida 6.600.

Como comparação, no Mundial do ano passado, só cinco atletas tiveram nota de partida 6.900, a mais alta praticada hoje nas argolas. Zanetti apresentou sua série mais difícil na classificação, mas reduziu a nota de partida para 6.800 na final, compensando na execução (a soma dos dois quesitos dá a pontuação final).

Lógico que só ter uma nota de partida alta não significa nada se a execução não for boa também. Mas Henrique tem, ao seu lado, o campeão olímpico. Mais do que isso, é treinado pelo treinador campeão olímpico, que com certeza tem muito a lhe ensinar.

Na final em Doha, Henrique teve 8.525 em execução. A nota de 15.425 o colocaria na final olímpica, mas não na final do Mundial do ano passado. Se conseguir melhorar a execução para algo com 8.800, entra na briga direta por uma medalha.

O problema é que Henrique, ao que parece, dificilmente vai para os dois próximos Mundiais, que servem como seletiva olímpica por equipes. Em bom momento, a ginástica brasileira quer (e precisa) poder levar time completo para o Rio/2016. E, para isso, precisa de atletas que contribuam com boas notas em mais de um aparelho. Arthur Nory Mariano, Sergio Sasaki, Arthur Zanetti e Diego Hypolito são nomes certos. Afinal, brigam por medalhas. As outras duas vagas devem ficar com atletas mais completos.

O desafio de Henrique, assim, é mostrar, em competições como as Copas do Mundo, capacidade de brigar por medalhas nas argolas (não basta capacidade de chegar à final). Se conseguir isso, a ginástica brasileira pode mudar de planos. Levá-lo para tentar mais um pódio (seria ele o quinto e último do time) e abrir mão de um resultado intermediário por equipes.

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