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Homem mais rápido do País aos 19, Vitor Hugo dribla buracos na pista para treinar

Demétrio Vecchioli

15 de maio de 2015 | 06h30

Paulo Servo estava orgulhoso ao fim do primeiro dia do Troféu Brasil de Atletismo, no início de uma noite fria de quinta-feira, em São Bernardo do Campo (SP). Seus dois pupilos mais famosos haviam brilhado nos 100 metros. Rosângela Santos, que hoje treina nos Estados Unidos, bateu duas vezes seu recorde pessoal e venceu com 11s08. Vitor Hugo dos Santos, de apenas 19 anos, quebrou também duas vezes o recorde sul-americano juvenil, consolidando-se como a maior revelação da velocidade brasileira em todos os tempos.

O treinador, entretanto, não conseguia esconder a preocupação. “Paguei R$ 4.700 do hotel no cartão. Só não sei como vou pagar o cartão agora”. A viagem do Rio a São Paulo, com sete atletas, foi feita em dois carros: dele e do irmão.

Quando voltar ao Rio, Vitor Hugo, homem do mais rápido do País aos 19 anos, vai encontrar o seguinte: “Buraco, mato, falta de material. A estrutura é péssima”. “Mas não é uma pista que vai me fazer parar de sonhar alto”, prometeu.

O local onde foram revelados os dois campeões brasileiros adultos dos 100 metros é alvo de duras críticas também de Servo. “Como pista, não tem pior. Não tem material. Não tem uma sala de descanso, não tem nada”.

A Vila Olímpica Manoel José Gomes Tubino, no Mato Alto, na região de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio, pertence à prefeitura. A pista, reformada recentemente, virou farelo. O que era grama virou mato, justificando o nome do local onde fica instalada. “Eu quero falar obrigado pra eles que estão destruindo o sonho de cada criança”, diz Vitor Hugo, ironicamente. “Se eles (o governo) não vão me ajudar, tem muito mais gente que pode me ajudar. Os atletas do Rio estão sofrendo bem. É onde vai ser os Jogos Olímpicos”, lembrou.

Se a estrutura física deixa muito a desejar, pelo menos a financeira não ia mal, com o patrocínio da BRFoods. Entretanto, de acordo com Servo, a empresa, que estampa a marca Sadia no uniforme dos atletas, só teria depositado duas das 10 parcelas de R$ 80 mil prometidas para 2015. “Tinha escolinhas, fechei tudo. Tinha mais de 800 crianças treinando comigo. Estou com poucas crianças”, completou.