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Illana Pinheiro – a jogadora de polo que diz ‘não’ à seleção

Demétrio Vecchioli

15 de outubro de 2013 | 22h33

Illana

No polo aquático feminino, além da busca por jogadoras estrangeiras (três atletas sem vínculo com o Brasil negociam), o desafio é convencer a melhor jogadora do País a se dedicar ao esporte. Illana Pinheiro é um caso raro: ela não tem vontade nenhuma de defender a seleção. Nem a brasileira nem nenhuma outra.

“Não sei se quero essa obrigação. De repente tenho uma viagem com amigos em um fim de semana , mas não posso ir porque tenho treino. Quando vira obrigação fica chato, sabe?”, argumenta a flamenguista de 27 anos. “Faço o meu no meu clube. Treino e jogo ali. É o que me faz bem.”

Desde as categorias de base a carioca se sobressai. Mas as primeiras experiências na seleção foram traumáticas. “Foi em 2005, 2006, quando São Paulo dominava a seleção. Eu já não sou muito extrovertida e só uma pessoa me recebeu direito”, conta ela, que desde o Campeonato Sul-Americano de 2006 não joga pelo Brasil, mas garante se dar bem com a nova geração, liderada por Izabella Chiapinni, filha do técnico que a levou à seleção, e pelas irmãs Canetti, filhas do seu técnico no Flamengo.

Mas e o sonho de jogar uma Olimpíada? “Até tenho vontade pelo evento que é, mas para isso acho que eu já tinha que estar na seleção. Na minha cabeça, o certo é que quem quer jogar uma Olimpíada tem que se dedicar muito”, explica.

Illana, que já recusou incontáveis convocações, até se convenceu a jogar o Mundial de Barcelona/2013. Foi convocada, participou da primeira etapa de treinamentos, mas precisou faltar à segunda delas. Não foi mais chamada.

A técnica norte-americana Sandy Nitta, porém, não renovou contrato e um canadense está chegando para o seu lugar. “A primeira coisa que ele vai fazer vai ser convencer a Illana”, garante Ricardo Cabral, coordenador da CBDA. “Nem que a gente tenha que colocar no jornal tipo o cartaz dos EUA: ‘I want you’.”

Illana merece o tratamento especial. Canhota, inteligente e veloz, aprimora os fundamentos treinando diariamente com o time masculino do Flamengo. Com as meninas da equipe (base da seleção), ela só treina na véspera de competição, fato raro. “A gente só joga oito partidas por ano. Um fim de semana na Liga Nacional, outro na Taça Brasil”, critica a estudante de educação física.

A jogadora já teve propostas para jogar na Europa, mas recusou. “Eu me achava muito nova. Se fosse há dois ou três anos teria ido”, diz ela, que não acha que vá um dia ser jogadora profissional. “Minha carreira está chegando no fim”.  Quem sabe nesse meio tempo não caiba uma Olimpíada.

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