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Investir no ‘esporte social’ já se mostrou caminho para corrupção

Demétrio Vecchioli

02 de janeiro de 2015 | 17h13

Nenhuma novidade no discurso de posse do novo ministro do Esporte George Hilton, nesta sexta-feira, em Brasília. O pastor da Igreja Universal do Reino de Deus disse não entender “profundamente” de esporte, o que todo mundo já sabia. O mais importante: disse que vai dar “atenção especial “ao “esporte social, ao esporte inclusão, educacional e comunitário”.

Não é preciso ir muito longe para lembrar que foi exatamente com essa desculpa que o PCdoB montou um grande esquema de desvios dentro do ministério do Esporte, culminando com a queda do ministro Orlando Silva. À época, em 2011,  a imprensa denunciou que convênios fraudulentos com ONGs ligadas ao PCdoB, dentro do programa Terceiro Tempo, retornavam como uma espécie de “pedágio” ao partido. Lembre aqui.

Não é coincidência que o PRB tenha optado, agora, por seguir os passos dados pelo PCdoB há alguns anos, quando os comunistas colecionaram secretarias de Esporte. Assim, mesmo o dinheiro que sai do ministério e vai para os Estados e Municípios continuará nas mãos do partido. Distrito Federal, Minas Gerais, Ceará e São Paulo têm políticos do PRB à frente da pasta esportiva.

No seu discurso desta sexta-feira, Hilton disse que não conhece o funcionamento do esporte. Agora, ele tem dois caminhos. Um deles é se associar a quem entende. O Comitê Olímpico Brasileiro, apesar de ter o eterno Carlos Arthur Nuzman na presidência, hoje é tocado por ex-atletas do calibre de Adriana Behar e, principalmente, Marcus Vinicius Freire. Nos últimos anos, as ações do órgão são quase inquestionáveis e os resultados têm sido vistos dentro de campo/quadra/tatame…

O outro caminho é exatamente aquele que o ministro já indicou que escolheu tomar. No seu perfil no Facebook, comemorou o apoio da Confederações Brasileiras de Sin Moo Hapkido (uma arte marcial derivada do Hapkido) e Jiu-Jítsu Esportivo (arte marcial derivada do jiu-jítsu brasileiro) . Não são entidades das mais respeitadas. Também recebeu o apoio de Marco Polo Del Nero, da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), de quem não é necessário fazer nenhum comentário adicional.

Confederações de lutas marciais, não-olímpicas, são uma praga em órgãos como as secretarias municipal e estadual de Esporte em São Paulo. Enquanto as modalidades olímpicas têm que se submeter a uma série de regras para pertencerem ao COI (Comitê Olímpico Internacional) e ao COB, recebendo recursos da Lei Piva e passando por fiscalização mais intensa, tando de órgãos de controle quanto da imprensa, as de lutas marciais são terra de ninguém.

Ninguém impede que cinco pessoas se reúnam e criem uma “Confederação de Jiu-Jitsu Esportivo do Brasil”. Bastam alguns movimentos políticos e a suposta confederação passa a ser apta a assinar convênios e, seus atletas, a receberem Bolsa Atleta. Se o controle sobre isso já era baixo sob Aldo Rebelo, tudo indica que será ainda menor com George Hilton.

Em reportagem deste blogueiro com a repórter Ana Fernandes, o Broadcast Político revelou, na quarta-feira, que o novo secretário estadual de Esporte de São Paulo, Jean Madeira, também do PRB, tem seu nome ligado a irregularidades em convênios firmados com o Instituto Esporte e Vida. São 11 convênios, que somam mais de R$ 400 mil, todos para realização de eventos da “Juventude contra o Crack”. A entidade, presidida por um dirigente paulista do futebol de areia, é ligada a Madeira (vereador por São Paulo), que por sua vez se diz o criador dos eventos. Um mês após a realização dos eventos, a secretaria municipal detectou irregularidades em cinco convênios, com uso de verba pública para a promoção do nome de Madeira em cartazes e troféus.

Com o PRB, podem crescer os repasses a estas ONGs “desconhecidas” e a confederações de modalidades não-olímpicas (aposta do blogueiro: luta de braço, MMA, kickboxing e kung fu). Este repórter não ficará surpreso se, na esfera do “apoio ao esporte universitário”, abram-se as portas do ministério para o vereador paulista Aurélio Miguel, presidente da FUPE (Federação Paulista Universitária). Aí o buraco será mais fundo.