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Ironizada por nota zero, Ingrid tem desempenho de finalista olímpica

Demétrio Vecchioli

12 de julho de 2015 | 00h25

Há três formas de se enxergar o desempenho da antes desconhecida Ingrid Oliveira nos Jogos Pan-Americanos de Toronto. Há o machista, que é lembrar dela pelo papel de “musa”, que lhe foi imposto por parte da mídia brasileira.Pode-se destacar o salto errado, que gerou uma queda de costas na água e a nota zero, em uma apresentação que valia só como um treino de luxo. (Qualquer nota zero, de brasileiro ou não, é notícia. Importante ponderar).

Mas pode-se enxergar também sob a óptica esportiva. Ingrid não ganhou ouro, prata ou bronze. Sequer ficou perto de beliscar a medalha. Decepcionou? Nada disso, muito pelo contrário. Os 329,00 pontos na apresentação final na plataforma fazem dela potencial finalista olímpica, algo que o Brasil nunca teve entre as mulheres nos saltos ornamentais.

Medalhista de prata no Pan, a canadense Roseline Filion somou 329,60 pontos para ser a oitava colocada da semifinal dos Jogos de Londres, em 2012. Depois, no ano seguinte, fez 327,45 pontos na semifinal do Mundial de Barcelona e avançou em quarto. Na final olímpica estavam as três medalhistas do Pan. Na final do Mundial, também a quarta colocada. A prova foi de um nível altíssimo.

São dados para se pensar na hora de avaliar o tamanho da nossa cobrança. No atletismo e na natação, assim como na ginástica artística ou de rítmica, são usuais medalhas pan-americanas com resultados que, transportados para nível mundial, nada significam. Giovana ficou longe do pódio, mas está entre as 10 melhores do mundo.

Em quatro participações olímpicas, Juliana Veloso nunca passou de um 16.º lugar. Não é uma comparação para desvalorizar Juliana, maior atleta da modalidade na história do País, nada disso. Mas para pensarmos o que estamos cobrando dos atletas.

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