As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Isaquias cobra retorno financeiro rápido por título mundial na canoagem

Demétrio Vecchioli

26 de setembro de 2013 | 14h23

Na madrugada de terça para quarta-feira, Isaquias Queiroz, campeão mundial de canoagem velocidade, e esperança de medalha para os Jogos do Rio/2016, foi ao Facebook para fazer um desabafo. Pegou pesado nas críticas à Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa), que só se pronunciou nesta quinta-feira. Em nota, admitiu que nem tudo é perfeito, mas rebateu a maioria dos pontos levantados por Isaquias, inclusive o mais importante: falta de reconhecimento financeiro.

“Amanhã darei início aos meus treinamentos, um novo ciclo, com uma miserável dor no peito. Ainda não caiu a ficha de ser o atual campeão mundial e o terceiro melhor do mundo em uma prova olímpica porque não mudou nada em minha vida financeiramente falando”, escreveu Isaquias, na sua principal crítica. No texto, relata que está com uma “tristeza transfigurada, quase depressão”, que sente vontade “de jogar tudo pro ar e voltar as ser o “Sem Rim”, aquele moleque travesso e feliz”. 

Em síntese, Isaquias reclama que falta reconhecimento financeiro.  A Confederação responde: “A CBCa esclarece que em nenhum momento acordou qualquer prêmio por medalha com o atleta Isaquias Queiroz”.

E aí, a não ser que o canoista mostre o contrário, a CBCa está certa. Se não combinou prêmio, não há prêmio. Até porque, pelo que consta, a confederação está com nome sujo na praça (por conta de gestões anteriores, não esta) e não consegue receber verba pública.

“É praxe da entidade é o reconhecimento dos resultados de seus atletas transformado em auxílio mensal, em estrutura, em possibilidades de participação nos principais eventos internacionais da canoagem velocidade pelo mundo afora, entre outras benefícios.” Mais uma vez, me perdoe o atleta, a confederação está certa. Não falta estrutura para ele, que tem o melhor técnico do mundo, treina ao lado de um dos melhores canoístas do mundo, e participa de tudo quanto é competição.

Mas ok, um atleta de alto nível merece um reconhecimento financeiro. “O atleta é contemplado pelo programa Bolsa-Atleta do Governo Federal desde 2010, recebeu ajuda de custo da CBCa de abril de 2011 a junho de 2013 e no Centro de Treinamento recebe desde junho de 2013 o valor máximo de bolsa-auxílio oferecido a um atleta da equipe permanente”, diz a CBCa, que reforça: “É também um dos candidatos a receber o auxílio do programa Bolsa-Pódio em virtude dos resultados conquistados no Campeonato Mundial, realizado há cerca de um mês”

Em síntese: ele recebe o máximo do Bolsa-Atleta, o máximo de ajuda de custo, e vai receber também o máximo do Bolsa-Pódio (como o título veio no segundo semestre, esse pagamento só deve começar em dezembro. Regras são regras). Não cabe à confederação pagar um salário para o atleta. Não é assim em nenhuma modalidade. A premiação por resultado vem por meio do Bolsa-Pódio. Isaquias vai receber R$ 15 mil por mês. Se mantiver os resultados, tem essa garantia até 2016. Mais uma vez desculpe-me o atleta, mas ele não é nenhum coitadinho.

E aí o Isaquias usa mais argumentos. Diz que um atleta do Equador, que ganhou medalha assim como ele numa etapa da Copa do Mundo, ganhou uma casa por isso. Novamente, não há como concordar. Não queremos ser igual ao Equador. Há milhões de outras prioridades do governo do que dar casas a atletas. Até porque o atleta tem onde morar: um CT na Guarapiranga. E vai receber (daqui a poucos meses, dentro das regras), valor considerável para comprar uma casa.

“Tenho um documento em mãos que quando ganhei o mundial em 2011 meu ex-treinador ganhou R$ 10 mil por medalha e naquela ocasião ganhei duas. Para mim o presidente me levou para comer no McDonald’s”, diz Isaquias, também rebatido pela CBCa: “O valor pago ao técnico refere-se aos resultados obtidos nos Jogos Pan-Americanos e à classificação para os Jogos Olímpicos de Londres”. Isaquias não esteve nessas competições.

PORÉM – A CBCa, porém, não responde a outras críticas de Isaquias.

– Tenho que assinar uns documentos da Confederação que pedem para dizer que tenho dois remos que na verdade nunca chegaram em minhas mãos.

– Recebi uma multa de R$ 1 mil por sair em uma foto que nem me dei conta que estava sem a blusa do patrocinador oficial da confederação. Por que não tive direito à defesa? Por que tiram o dinheiro que com esforço ganho para enviar todo mês para minha mãezinha?

– Outro atleta da Bahia ganhou medalha de prata C2 1.000m Jogos Pan-Americanos do Rio. Os atletas do sul receberam o pagamento por medalha e meu companheiro da Bahia não recebeu nada.

E tem também a lavagem de roupa suja, em que Isaquias ERROU em colocar publicamente.

– No CT de Guarapiranga existem 40 atletas do caiaque. Mas a canoa (modalidade de Isaquias), que faz os resultados acontecerem, só temos 12 atletas. Meu companheiro Dalvan Luz que se classificou duas vezes para estar concentrado e por duas vezes não o convocaram.

– Vejo atletas do caiaque que não apresentam resultado e permanecem na seleção. Vejo atletas do caiaque menores de idade indo para baladas, bebendo. Presenciei quatro atletas do caiaque, duas meninas e dois meninos, foram para escola e ao entrar para assistir aula estavam bebendo. As duas meninas por perseguição foram expulsas e os outros atletas masculinos não foram punidos.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: