‘Já comi até picanha’, comemora Lais na primeira entrevista
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‘Já comi até picanha’, comemora Lais na primeira entrevista

Demétrio Vecchioli

23 de março de 2014 | 21h25

Reprodução/Instagram

Praticamente dois meses depois de se acidentar enquanto treinava em Salt Lake City (EUA) para ir aos Jogos Olímpicos de Inverno de de Sochi (Rússia), Lais Souza concedeu sua primeira entrevista, veiculada neste domingo pelo Fantástico. O programa mostrou a atleta falando bem, praticamente sem nenhuma dificuldade, brincando com o repórter Tadeu Schmidt, e realizando uma série de exercícios de fisioterapia. A Globo ainda pediu ajuda na campanha que busca doações para ela, mas em nenhum momento entrou no polêmico tema da falta de suporte do COB.

“Eu senti vontade de fazer xixi. Não era para eu sentir nada”, contou Lais, que vem tendo uma recuperação mais rápida do que o normal. Ela corria sério risco de precisar para sempre de respiração mecânica (ventilador) e até de não conseguir falar ou comer. Mas já não tem mais nenhum problema do tipo. “Eu tô comendo de tudo, de tudo mesmo. Comi picanha esses tempos”, contou Lais.

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O programa mostrou a atleta cantando ao lado da fisioterapeuta Denise Lessio, sua melhor amiga e empresária, e que desde o acidente está nos Estados Unidos. Foi de Denise a proposta de que Lais tentasse recuperar a fala e a respiração duplando músicas das quais gosta. Tais problemas estão superados.

Mas restam muitas outras etapas. Lais move normalmente o pescoço, pelo que pôde-se ver na reportagem. Assim, deverá ter maior facilidade de deslocar a cadeira de rodas especial que precisará usar, movendo-a com o queixo.

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Com a lesão entre a terceira e a quarta vértebras, que afetaram a medula, os sinais enviados para o restante do corpo (do pescoço para baixo) não deveriam ser sentidos. Mas Lais e os médicos comemoram que ela sentiu vontade de urinar e também o fato de ter sentido uma agulhada na ponta do dedo. “Nunca imaginei que uma furadinha de agulha fosse ser tão importante”, contou a mãe dela, Odete.

De acordo com a reportagem ainda não se sabe se Lais ficará para sempre tetraplégica, porque a lesão ainda está inchada. Mas Lais sabe que, pelo menos por hora, não conseguirá ter movimentos dos membros. “Penso na solução do problema. O que posso fazer para melhorar, já que não posso mudar isso. Com um pouquinho que tenho de movimento to lá me matando para mexer esse músculo. O que vocês viram hoje foi o tal do pouquinho mais”, contou a atleta, que revelou ainda sentir medo.

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Os médicos se mostram otimistas com a forma com que Lais tem respondido ao tratamento. “O que eu sei de pacientes com a paizão e a determinação da Lais é que eles acabam sendo bem sucedidos na vida, ainda que fiquem para sempre em cadeiras de rodas”, contou o médico que chefia a Unidade de Reabilitação de Lesões Medulares do Jackson Memorial Hospital, da Universidade de Miami.

Lais, porém, admite que não está sempre alegre como apareceu na reportagem. “Tenho momento de tristeza, vivo ele, encaro ele, choro, nem todo momento eu sou forte. Eu choro pra caramba, acho que dá energia para você voltar, pensar, refletir, acho que é a punhalada que você leva para continuar”, comentou, lúcida.

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Sobre o acidente, revelou que realizava, com o técnico Ryan Snow, canadense, treinos de velocidade e freio, para que ela aprimorasse o freio brusco, necessário depois do salto na prova da qual participaria em Sochi, o esqui aéreo. “Foi no momento em que eu estava numa velocidade grande, bem grande. Fui de lado para dar uma freada, eu freei e lembro disso. Depois disso não lembro mais nada”, contou. Ninguém viu o acidente, contra uma árvore.

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“Eu tenho cenas. Logo acho depois que eu cai eu lembro do meu técnico, chamando, chorando, ofegante, e eu sei lá, desmaiava. Lembro do helicóptero, o barulho assim. Depois do helicóptero, só lembro da UTI”, contou.

Ao final da reportagem, o Fantástico mostrou imagens de atletas e personalidades fazendo, com a mão, o “L” que simboliza a campanha para arrecadação de fundos para pagamento do tratamento de Lais depois que ela sair do hospital. Até quarta-feira, como revelou a colega Amanda Romanelli, só R$ 3 mil haviam sido arrecadados. O programa não questionou o COB sobre o motivo de o comitê não ter fornecido um seguro por invalidez à atleta. Segundo o mesmo, o seguro só vale para as competições. Lais estava pré-convocada. A vaga foi oficializada no dia seguinte ao acidente.

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