Jogos Sul-Americanos ganham credibilidade e se aproximam de modelo do Pan
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Jogos Sul-Americanos ganham credibilidade e se aproximam de modelo do Pan

Demétrio Vecchioli

19 de março de 2014 | 17h00

Acabou nesta terça-feira, em Santiago, a décima edição dos Jogos Sul-Americanos. Mas pode também chamar de primeira. No Chile, a competição poliesportiva finalmente conseguiu se aproximar do papel de versão reduzida dos Jogos Pan-Americanos que, por sua vez, são uma Olimpíada em miniatura.

É bobagem fazer qualquer quadro de medalhas histórico dos Jogos Sul-Americanos ou comparar o desempenho de 2014 com o de outros anos. A competição era uma até 2010 e se mostrou outra completamente diferente em Santiago. Basta olhar o número de medalhas distribuídas. Segundo colocado em Medellín (2010), o Brasil somou 355 medalhas naquela ocasião. Agora, quando foi disparado o melhor, chegou a 258.

A diferença se dá pela eliminação de disputas que não faziam o menor sentido. Só no boliche, em 2010, foram distribuídas incríveis 15 medalhas de ouro. Teve disputa individual, em duplas, em trios e em quartetos. Outra premiava o melhor país no geral. Uma sexta, o atleta que mais ganhasse medalhas. Isso no masculino e no feminino. Tudo porque  a Colômbia (dona da casa) era favorita – e ganhou todas de ouro.

Juntos, tiro com arco e tiro esportivo distribuíram (acreditem) 62 medalhas de ouro na edição passada dos Jogos. Este ano o número caiu para 19. O “superfaturamento” foi visto em muitas outras modalidades nas demais edições, mas não na de 2014. Finalmente a competição ganhou o carimbo da credibilidade.

Em Santiago, o número de modalidades não olímpicas foi reduzido. Boliche, esqui aquático, futsal, caratê e patinação velocidade somaram 33 medalhas de ouro, número menor do que as modalidades não olímpicas previstas para o Pan de Toronto: 47.

Ao se aproximar do que é o Pan, os Jogos Sul-Americanos passam a ser atrativos para o Brasil. Soberano em nível continental, o País vai liderar o quadro de medalhas sempre que critérios justos, como os adotados em Santiago, forem utilizados.

O Jogos Sul-Americanos, porém, ainda têm problemas que não serão facilmente corrigidos. Badminton, canoagem slalom, CCE, ginástica de trampolim e polo aquático não foram disputados seja por falta de interessados ou de local para realização das provas. Além disso, disputas como as provas sincronizadas nos saltos ornamentais, nado sincronizado e ginástica rítmica por equipes, algumas provas do ciclismo de pista e do remo foram canceladas por falta de inscritos.

Para se criar um ambiente competitivo e justificar que essas provas estejam em Cochabamba (Bolívia), em 2018, é necessário um trabalho dos Comitês Olímpicos Nacionais de países menores, das federações internacionais das modalidades e também da ODESUR. Só nos resta torcer, porém, que o governo boliviano não tente retomar o caminho do populismo nos Jogos Sul-Americanos, aproximando-o dos Jogos Bolivarianos, que têm de bilhar a surfe e, dentre os sul-americanos, só não reúnem Brasil, Argentina e Uruguai.

Tudo o que sabemos sobre:

COBJogos Sul-Americanos

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: